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Um plano desfeito ou adiado?

Em matérias cada vez mais tendenciosas, os criacionistas são chamados de fixistas, denotando que não aceitam as modificações (microevolução) na natureza, entendendo que elas não podem ocorrer.

Bom, isso não é falso de todo. No passado, muitos proeminentes criacionistas adotavam essa posição, principalmente os ligados a religião católica, pois herdaram esse pensamento de Platão. Nessa época, aqueles que acreditavam numa criação divina eram chamados de fixistas. O termo era muito apropriado, pois essas pessoas defendiam a ideia de que Deus teria criado todos os seres vivos exatamente como são hoje, e ainda teria designado o lugar onde eles habitariam. Assim, Deus teria criado o canguru como o conhecemos e teria escolhido a Austrália como seu lar, pois não aceitavam a ideia de uma criação, para eles, imperfeita.

O nome indicava a fixidez das espécies. Mesmo quando deparados com exemplos claros de mudanças nos seres vivos, os fixistas permaneciam firmes em suas convicções.  Os criacionistas modernos, porém, não devem ser confundidos com os fixistas. A Igreja dominante da Idade Média, que por assimilação da cultura grega, em especial de Platão, acabou se tornando erroneamente fixista, e conseguiu criar uma confusão com o criacionismo moderno. Isso é tão verdade que muitos, ainda hoje, veem o criacionismo como fixista.

Recentemente, em artigo de capa a Revista VEJA citou que, achados paleontológicos de seres vivos mostrariam essas “evoluções” em variados seres, desacreditando os criacionistas fixistas.

Para os criacionistas modernos, Deus criou tipos básicos de seres vivos e colocou dentro deles o potencial para sofrerem mudanças limitadas. A própria Bíblia, fonte de informações para o modelo criacionista, defende a mudança pelo pecado “[…] do suor do teu rosto comerás o teu pão”. Essa promessa de Deus a Adão está no futuro, ou seja, Adão veria a natureza perfeita criada por Deus ser modificada pela ação do pecado. Aliás, hoje ainda a natureza se modifica, pois “[…] geme e tem dores de parto”. Então, o criacionismo admite sim, mudanças dentro da espécie, agora, que um anfíbio (sapo) possa ter se “transformado” por mutações em um réptil (jacaré), conhecida como Macroevolução, daí não.

Antes de entrar nos detalhes mais científicos é preciso entender como os criacionistas percebem a natureza e seu modo de agir. Desde muito cedo na história humana, temos a necessidade de classificarmos os seres vivos. Seja para proteção ou consumo, as civilizações antigas registraram em tabletes de barro e argila, imagens que mostram uma “separação” entre os grupos de animais com características mais desejáveis, como produção de leite, por exemplo.

Modernamente, nossa necessidade de entender, preservar e retirar com sabedoria, a matéria prima necessária a nossa sobrevivência, tem levado os cientistas a aperfeiçoarem métodos de classificação da vida. Classificar é agrupar os semelhantes, seguindo critérios claros e bem definidos. Quando fazemos isso, podemos perceber como essa separação promove a compreensão e o senso de preservação dessa tão enfraquecida natureza. Então, Sempre que precisamos lidar com um grande número de informações, temos a tendência de classificar para facilitar o nosso estudo.

Foi sentindo essa necessidade que Lineu, criacionista que era, com grande sabedoria e inteligência propôs o sistema binominal. Para que funcionasse, Lineu propôs o fim dos nomes populares e os substituiu por nomes científicos. Criou-se um impasse sobre qual país lideraria essa nova área com sua própria língua. Foi então que Lineu teve uma brilhante ideia. Ele propôs o uso de uma língua que não era mais falada, mas conhecida, o Latim, que em muito unificaria a forma de organizar a ciência. Logo depois, propôs cinco unidades básicas de classificação biológica dos seres vivos, levando em conta diferenças e semelhanças.

Lineu propôs que, dos grupos maiores se chegasse até o menor grupo. Assim:

De acordo com as crenças criacionistas, Deus criou certo número de tipos básicos de plantas e de animais que seriam capazes de mudar com o tempo, mas essas mudanças não ultrapassariam certos limites determinados pelo Criador. Esse plano não teve continuidade, pois o pecado foi o agente modificador da natureza, e, transformando-a, tornou-a no que hoje vemos. Então, cada ser teve um tipo básico original e perfeito e, com o tempo, houve modificações (adaptações).

Mas então, o que seriam as espécies do Gênesis? A Bíblia não fala sobre as espécies de Gênesis. Usa-se o termo “de acordo com sua espécie” para descrever a variedade de plantas e animais que Deus criou (Gênesis 1), ou que foram salvas na arca (Gênesis 6:20), ou que eram limpos (puros) ou sujos (impuros) para comer (Levíticos 11). O termo espécies de Gênesis foi criado por criacionistas para se referir a ideia de que Deus, originalmente, criou muitos variados grupos de indivíduos, dos quais, brotaram a diversidade de plantas e animais viventes hoje. Talvez o termo que melhor se encaixa seria o de família, daí descendendo a variedade que possuímos hoje. Ou seja, Deus criou o pai de todos os felinos, que, após várias procriações e anos de pecado sobre a Terra, foram sofrendo alterações em sua espécie, formando toda a sorte de felinos que temos hoje. Então como poderíamos explicar os predadores e os animais venenosos?

A Bíblia não fala como tais coisas se originaram, mas fala que a natureza mudou por causa do pecado de Adão (Gn 3:14, Rm 8:20). Aparentemente Adão foi criado para ser um dos “filhos de Deus” (Lc 3:38, Jó 1:6). Por seu pecado, perdeu o direito de controle da natureza para satanás (Jo 12:31, Jó 2:1-2), desse modo, predação e outras maldades são responsabilidade de satanás. Quando o mundo for restaurado, essas coisas não irão mais existir (Ap 21:4, 22:3).

Uma nova pergunta poderia ser: As espécies poderiam mudar totalmente?. A Bíblia não endereça este ponto, mas a ciência mostra que a variação é limitada. Nós não temos um sistema morfológico de quantidade de diferenças entre espécies, assim, os limites não podem ser calculados. Contudo, milhares de experimentos conduzidos por criadores e geneticistas fez com que muita informação tenha sido ganha. Espécies tem uma ótima capacidade de variação e que podem produzir novas variedades e espécies, mas parece inconveniente que este tipo de variação possa aumentar a produção de novos órgãos ou novos corpos. Na outra mão, a existência de predadores e parasitas sugerem que algumas espécies tem sofrido um considerável número de mudanças. Ao que tudo indica, a Família seria o grupo mais próximo do modelo de Criação de Deus.

Deus teria criado os dinossauros? Deus criou um tipo básico, um “pai de todos”, que, sob a ação do pecado teria sofrido mudanças, ano após ano, formando grande parte dos seres que hoje temos e que antes tínhamos. Para que se tenha uma ideia, 99% de toda a vida na Terra foi extinta no período Cambriano (segundo a Evolução) ou no dilúvio (segundo a Criação). O que temos hoje é uma pálida lembrança do que Deus idealizou para os seres humanos no Éden.

Perceba, todos os seres antediluvianos são enormes. Foi o dilúvio que permitiu que a natureza se organizasse e uma nova forma de organizar a vida na Terra, pudesse ter efeito. Ou você gostaria de conviver com dinossauros de 20 metros, ou ainda, com ladrões e assassinos que poderiam viver 200 anos? Deus vê o futuro ontem. Ele já sabia que a natureza precisava ser reorganizada para que você e eu tivéssemos uma chance de conhecer seu plano e ser salvo do pecado.

Assim, não é correto dizer que, no céu, as crianças vão brincar com o Leão ou o Urso. Esses seres como os vemos hoje foram, como cada um de nós, transformados pelo pecado. No céu veremos o que Deus tinha em mente quando criou o Leão. Mesmo Isaías, quando fala deles é como profecia para o antigo Israel, não para o céu.

Isso explica as similaridades genéticas de humanos e chimpanzés. Não sabemos, exatamente, como a molécula de DNA constrói os corpos. Nós achamos que há uma relação entre as sequências de DNA e a forma do corpo e sua função. Se sim, pode-se pensar que corpos similares tenham sequências de DNA similares. Deste modo, era de se esperar que humanos e chimpanzés tivessem mais semelhanças, que humanos e pinheiros, por exemplo. Ou seja, parece-me que o mesmo construtor dos humanos, também é o mesmo de toda a natureza, e a matéria prima e a “forma” são as mesmas, com alguns detalhes diferentes, detalhes esses que modificam por completo o indivíduo.

Mesmo agora, a tão falada proximidade entre homens e macacos vem diminuindo, estudo após estudo (Zero Hora – Global Tech – 23/02/2009 p.4). Não ficaria surpreso se daqui a 10 anos descobrirem que essa diferença suba para 30% mais.

Como vê, Deus tem uma promessa, a de mudar tudo, transformar essa Terra e toda a natureza, para isso, Ele prometeu que o corruptível será revestido da incorruptibilidade. E então, você já leu sua Bíblia hoje?

Até a próxima.

 

Imagem: Vladimir Wrangel/Fotolia
Márcio Fraiberg Machado

Autor de Biologia do Sistema Inter@tivo de Ensino. Graduado em História pela UFSC – Florianópolis – SC. Graduado em Ciências Biológicas pela Unoeste – Presidente Prudente – SP. Especialista em Biotecnologia pela Ufla – Lavras – MG. Mestre em Educação em Ciências e Matemática pela PUC – Porto Alegre – RS. Doutor em Educação pela PUC – Porto Alegre – RS.

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