Topo

O dom de ouvir e aconselhar

Por trás da sala de aula, além do contato direto e diário de professor e aluno, existe um universo bem maior, que contribui para que o ambiente escolar funcione de maneira favorável. Isso acontece por meio de uma equipe pedagógica. Entre os profissionais está o orientador educacional. Você sabe qual é a sua função dentro da escola?

Apesar de ser confundido com um psicólogo, já que trata de assuntos relacionais e comportamentais, o orientador educacional procura a harmonização no aspecto pedagógico, e não terapêutico. Enquanto o pedagogo cumpre o papel curricular com matérias a serem repassadas aos alunos, o orientador cumpre a formação moral, ética e de valores.

Além disso, na demanda atual, o orientador educacional busca esclarecer os papéis de cada um dos componentes que contribuem no cenário escolar. “Os pais, os alunos e o professor devem entender o seu papel. Vivemos numa sociedade hoje que se não direcionarmos cada segmento educacional, estabelece-se uma tremenda confusão. Um espera pelo outro e no final ninguém faz nada. Então, o orientador educacional tem o papel de colocar os pingos nos “is” diante deste contexto de pais, alunos e professor”, explica Maria Jandira Laurentino, orientadora educacional do Colégio Adventista do Portão, em Curitiba.

Para seguir carreira como orientador educacional, é preciso formação em pedagogia, no qual oferece algumas habilitações a escolher como professor, coordenador pedagógico, administrador escolar e também a orientação educacional. Tudo com base na pedagogia.

Entretanto, para assumir essa função, Maria revela que é necessário ser um apoiador, estar disposto a ouvir e a tratar o indivíduo com respeito. “Em qualquer ambiente as pessoas necessitam se sentir seguras. O orientador educacional deve ser um ponto de referência, de segurança, de moderação, de pacificação, porém, com objetivos e foco naquilo que ele deseja alcançar, que é a aprendizagem, relacionamento bom, desenvolvimento em todos os aspectos. O orientador aponta os papéis de cada um, porque a responsabilidade não se terceiriza, cada um faz o que é seu. E a partir daí todos estão ajudando a somar num objetivo”, acrescenta.

E é justamente nesta situação que, segundo Maria, está um dos maiores desafios da profissão. Ao invés de existir uma parceria entre os três pilares-base – aluno, professor e pai – muitas vezes, as funções podem ser desfalcadas se algum integrante não colaborar. “Temos vivido uma geração em que os pais tentam terceirizar a educação. A formação e informação ficou por conta da escola. A formação principal do estudante como pessoa precisa vir de casa, e esse papel já se perdeu para muitas famílias”, analisa a orientadora.

No setor há 28 anos, Maria se sente privilegiada por trabalhar com orientação. Apesar das dificuldades e do desafio de lidar com situações diferentes todos os dias, que necessitam de resoluções diferentes, a profissional revela que o segredo para cumprir seu papel é ter um suporte espiritual. “Eu sinto que estou no lugar que devo estar e gostaria de permanecer até terminar. Eu tenho encontrado apoio no Mestre dos mestres. Eu não ouso sair de casa sem ter um encontro com Deus. Isso tem me sustentado de forma segura”, conclui.

 

 

Imagem: Monkey Business / Fotolia
Jéssica Guidolin

Formada em Jornalismo e pós-graduada em Comunicação e Marketing. Trabalha como assessora de comunicação na sede da Igreja Adventista para o Sul do Brasil.

Sem comentários
Adicionar comentário
Name*
Email*
Website