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Leitura na sala de aula: de quem é o compromisso?

Na obra Aula Nota 10, o professor e pesquisador Doug Lemov dedicou uma seção de seu livro para defender a ideia de que a leitura não é uma função específica das aulas de linguagem e literatura. Mesmo elementos essenciais da leitura como a decodificação, a fluência e o vocabulário, que possam ser interpretados como responsabilidade dos professores de Língua Portuguesa, são, de fato, um compromisso de todas as áreas. Afinal, é importante lembrar que sendo esses elementos primordiais para a compreensão dos textos, são assim necessários ao bom entendimento da leitura em todas as disciplinas.

O autor argumenta que, se todos os professores investissem tempo nessa atividade de forma produtiva, os estudantes apresentariam resultados satisfatórios e estariam engajados em uma atividade de alto valor agregado.

Lemov apresenta a relevância de práticas consideradas tradicionais e que foram abandonadas na sala de aula por modismos que as consideraram obsoletas ou por más interpretações e aplicações inadequadas. Uma destas práticas é a leitura em voz alta na sala de aula a partir de um leitor primário.

Para garantir que todos os estudantes estão participando da leitura na sala de aula, o autor sugere o uso de técnicas como:

  • manter as durações da leitura e a identidade do próximo leitor imprevisíveis;
  • conservar a duração da leitura curta, sendo rápido nas trocas de leitor;
  • preencher as lacunas quando há um intervalo entre os leitores e ao fazer intervalos, pedir que os alunos marquem onde pararam para agilizar o retorno ao texto após a realização de inferências relevantes.

No que diz respeito à compreensão dos textos lidos em sala de aula, Lenov também oferece orientações:

  • explorar o conhecimento prévio dos alunos quanto ao conteúdo do material, vocabulário ou o contexto. Desse modo, previnem-se incoerências na interpretação. Se essas lacunas forem resolvidas com antecedência garantem que o foco do estudante estará na compreensão, e que seus esforços não se dissiparão nos elementos essenciais;
  • estabelecer o foco da leitura e oferecer um trailer de partes que serão determinantes para a interpretação;
  • oportunizar a sistematização do que foi lido, através de atividades posteriores a leitura, como a produção de resumos;
  • incentivar o estabelecimento de relações entre o texto e outros textos. O texto e o mundo, bem como o texto e os próprios estudantes.

Seja as técnicas apresentadas por Lemov ou aquelas desenvolvidas e adaptadas por cada um professor através de uma prática docente reflexiva, o objetivo principal é a aprendizagem dos estudantes. A leitura, sem sombra de dúvidas, é uma das mais significativas atividades que pode ser desenvolvida em todas as disciplinas.

 

 

Referência:
LEMOV, Doug. Aula Nota 10. São Paulo: Editora Boa Prosa. Fundação Lemann, 2011.

 

Imagem: Yanlev/Fotolia
Tafnes do Canto

Especialista em Metodologia de Ensino pela FAP-PR. Possui graduação em Licenciatura Plena em História pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Tem experiência na tutoria EaD para o Ensino Superior na área de Ciências Humanas.

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