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Inteligência emocional na aprendizagem

Muito se fala em Quociente de Inteligência (QI) quando o assunto é aprendizado. Mas você já ouviu falar em Quociente Emocional (QE)?  O ser humano é formado por diferentes tipos de inteligência que, em conjunto, constroem a sua trajetória individual. Entretanto, desde cedo esses fatores precisam ser estimulados pelos pais e responsáveis. O QE tem uma parcela tão importante quando o QI em todo o processo de desenvolvimento dos pequenos.

“Nós temos múltiplas inteligências:  no sentido matemático, lógico, conceitual, de palavras. São tipos de inteligência do mesmo jeito que é a inteligência emocional. A inteligência emocional é a última a ser desenvolvida, mas é a mais cobrada”, explica a psicóloga Patrícia Santiago.

Porém, o início do desenvolvimento satisfatório da inteligência emocional pode surgir por meio de uma base sólida de segurança construída ainda na infância. A criança recebe muitos estímulos do ambiente onde vive, moldando, assim, essa inteligência emocional.

Patrícia ressalta que não existe o EU, e sim os “EUs”, pois a maneira que uma pessoa vê o mundo não é tão individual assim, é uma soma de interferências de outros indivíduos. Ela adquire toda a experiência de vida e como lidar com isso conforme o ambiente proporcionado.

“O Criador colocou dentro do homem essa necessidade de trabalho em parceria no ambiente de crescimento. O EU é colaborativo. Você não escolheu seu nome, não escolheu também o jeito de lidar com as frustrações, porque sempre tinham pessoas que te estimulavam de formas diferentes”, diz a psicóloga.

Quando os pais ou responsáveis criam um ambiente seguro contribuem para uma criança emocionalmente forte e um adulto bem desenvolvido. Isso tem a ver com relações afetivas, controle de emoções, autoestima, conforto ao lidar com as situações, entre outros fatores.

 

Mas o que é considerada uma inteligência emocional saudável?

Patrícia explica que no início da vida a inteligência emocional já começa a ganhar espaço. A criança se sente parte do corpo da mãe. Um simples exemplo disso é quando, por alguns instantes, a mãe se afasta e o bebê começa a chorar, sente medo. Se aos poucos ele entende que essa mãe vai, mas volta, sua segurança já começa a ser construída. Entretanto, se essa criança não é apoiada, acalentada ou compreendida, sua inteligência emocional já começa a descompensar. Isso gera um desconforto, uma perda na questão afetiva.

A inteligência emocional em dia é justamente aquela que não gera desconforto. Ou seja, a forma mais descomplicada de se viver e lidar com as situações. “Saúde emocional é falta de patologias psiquiátricas. Quanto mais a patologia psiquiátrica é grave, mais traz transtorno, que é tudo aquilo que dificulta a vida de quem está passando por isso, e de toda a família. Então toda pessoa que é inteligente emocionalmente transita bem pelas emoções, se dá bem com as pessoas e consigo mesma, tem estabilidade”, exemplifica Patrícia que ainda comenta que essa situação é bem diferente quando não há inteligência emocional.

Desde pequenas, as crianças precisam ter o suporte em relação à inteligência emocional. “Há pais que acham que a aprendizagem só está voltada para o QI, mas está voltada também para o emocional”, explica a psicóloga. Caso haja ruído nesse processo de desenvolvimento podem surgir dificuldades de aprendizagem, de relacionamento com os colegas e professores.

Algumas formas de contribuir com a inteligência emocional da criança é:

  • Ensinar a lidar com as frustrações;
  • Estimular a reflexão da criança sobre os atos dela;
  • Estimular a autoconfiança e a autoestima;
  • Elogiar as qualidades, antes mesmo de apontar os erros;
  • Ser presente na vida da criança construindo laços afetivos fortes;
  • Demonstrar a existência de um diálogo aberto entre a família;
  • Estimular o controle das emoções;
  • Não criar um mundo ilusório em que a criança é perfeita, e sim mostrar também a racionalidade.

 

 

Imagem: Harunyigit/Fotolia
Jéssica Guidolin

Formada em Jornalismo e pós-graduada em Comunicação e Marketing. Trabalha como assessora de comunicação na sede da Igreja Adventista para o Sul do Brasil.

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