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Histórias de valor

Um estudante de engenharia elétrica foi condenado a seis anos de prisão após um incidente envolvendo drogas. Após quatro anos na cadeia, a Justiça reviu o caso, descobriu um mal-entendido e encontrou o verdadeiro culpado. O réu recebeu imediatamente a notificação de soltura.

Lucas tem 17 anos e uma origem humilde. Ele nunca conheceu seu pai e sempre viu a mãe se desdobrar em dois empregos para garantir aos três filhos o mínimo para viver. Embora tivesse motivos de sobra para ser triste, Lucas encontrou uma companhia quando, aos 11 anos de idade, conheceu a biblioteca municipal da sua cidade. Desde então, ele criou o hábito de passar as tardes por lá, e fez dos livros seus melhores amigos. Lucas tinha o grande sonho de ser médico e, hoje, recebeu a notícia de que foi aprovado em um dos vestibulares mais concorridos do país.

Camila é filha única, e todos os anos seus pais comemoram seu aniversário com um bom presente. Ela está prestes a completar 15 anos e pediu a eles que, em vez da tradicional festa, preparem uma ceia para os moradores de uma comunidade carente que vive perto do caminho que ela percorre até a escola.

Miguel tem 16 anos e passou por seis cirurgias nos últimos dois anos. Internado em estado grave, o jovem recebe uma notícia: será operado às pressas, pois acabou de receber a doação de um fígado. Um mês após o transplante, já restabelecido, ele descobriu quem foi o doador do órgão: Maurício, 32 anos, advogado, casado, pai de gêmeas, que sofreu um acidente fatal. Miguel comprou flores e foi com os pais encontrar a família enlutada.

Quatro histórias. Quatro inícios. Quatro desfechos. Mais do que isso: quatro valores em jogo. Esses relatos e personagens são fictícios, mas representam a essência transformadora da liberdade, alegria, solidariedade e gratidão. As histórias a seguir, porém, falam desses mesmos princípios, só que possuem personagens, enredo e locações reais. Todas elas foram vivenciadas neste ano na Rede Educacional Adventista, que escolheu quatro valores como ênfases do seu Plano Mestre de Desenvolvimento Espiritual (PMDE). Vamos a elas.

 

AFINAL, O QUE É LIBERDADE?

“Liberdade não é uma coisa, é uma Pessoa, Jesus!” A conclusão é de Carlos Martins, capelão do
Colégio Adventista de Sorocaba, no interior de São Paulo. Ele lembra que Deus criou Adão e Eva, os primeiros seres humanos, livres para fazer escolhas. Infelizmente, o casal decidiu desobedecer a Deus e perdeu a liberdade. A partir de então todo ser humano nasce escravizado pelo pecado e suas consequências são: doença, sofrimento e morte.

Deus, no entanto, oferece novamente a liberdade. Cristo, Deus feito homem sem mácula, morreu na cruz para nos possibilitar a libertação do pecado e da morte. “Somos libertos em Cristo, desde que O aceitemos”, resume Martins. Liberdade não é necessariamente fazer tudo o que se deseja, mas não ser condicionado a ter atitudes irresponsáveis e que impedem a realização plena.

 

A TURMA DO RISO

É inevitável: uma boa risada contagia! Os alunos do Colégio Adventista de Assunção, no Paraguai, usam o riso para conquistar novos amigos. A ideia é original. A escola tem muitos alunos estrangeiros, principalmente brasileiros e descendentes de famílias japonesas, que chegam ao país sem conhecer ninguém e demoram para se enturmar. Para integrá-los, a turma do riso entra em ação. A estratégia é se unirem três alunos veteranos. Na hora dos esportes, o primeiro oferece uma bola ao novato para que joguem juntos. Como ainda não são amigos, o novo aluno frequentemente dispensa o convite. Se mesmo assim ele permanece por perto observando, então os três vão juntos e lhe propõem um desafio: “Se fizermos você rir, você joga conosco?” A aluna Leila Aguilera conta o passo seguinte: “Fizemos uma sequência de mímicas que acabaram em risos, nossos e do novo colega, que começou a se enturmar com a gente.”

 

SOLIDARIEDADE: O ATO DE COMPARTILHAR

Assim como a liberdade e a alegria, a solidariedade é um valor que muda nossa vida e a das pessoas que nos cercam. Porém, praticá-la é entrar num barco que precisa remar contra a correnteza. E, apesar de haver certa preocupação de governos e agências humanitárias para viabilizar a melhoria de vida de milhões de pessoas, as iniciativas pessoais e locais são as mais significativas.

 

Rir é o melhor remédio

“O coração alegre embeleza o rosto” (Pv 15:13). A máxima bíblica é comprovada pela ciência. Segundo uma pesquisa realizada na Universidade de Loma Linda, na Califórnia (EUA), rir fortalece o sistema imunológico, combate o estresse e elimina as rugas. Nessa pesquisa científica foram observados dois grupos de vítimas de ataques cardíacos sob cuidados médicos. Um dos grupos assistia diariamente a vídeos de humor durante 20 minutos. O outro não. Após um ano, quem recebia a dose diária de humor apresentou uma queda média de 66% dos níveis de proteína C-reativa, um marcador de inflamação e de risco de problemas cardiovasculares. No grupo dos que não viam os vídeos, a queda foi de apenas 26%. Conclusão: as pessoas que riram mais tiveram maior redução dos riscos cardíacos.

 

Liberdade com responsabilidade

Ana Clara Lollobrígida aprendeu na prática essa definição. A adolescente de 16 anos sonhava com a liberdade, a ponto de convencer os pais a matriculá-la num internato adventista, o Unasp, campus Hortolândia (SP). O que Ana Clara não esperava era ter que cumprir regras de convivência e horários rígidos. A adolescente ressalta as responsabilidades que teve que assumir por conta dessa nova rotina: “Aqui, se quero o quarto limpo, preciso limpá-lo.” Ela também revela que, mesmo sem a cobrança presencial dos pais, estuda mais do que em casa. Segundo Ana Clara, a liberdade ensina que a conquista depende da iniciativa. “Aprendi a buscar a Deus porque preciso Dele, e não porque me obrigam”, compartilha outra lição aprendida.

 

Ao outro que é igual a mim

Sete horas de uma manhã de inverno em La Paz, Bolívia. O termômetro marcava 5°C, e os alunos do 3º ano do Ensino Médio chegaram agasalhados à escola. Rapidamente eles se dividiram em grupos e distribuíram as atividades. Um grupo de meninas se dirigiu à cozinha, outros foram à sala dos instrumentos musicais, e alguns prepararam pacotes e cartazes. Pontualmente às 8 horas todos saíram da escola. O destino não era distante: a cinco quadras estava um dos hospitais mais importantes do país, um dos poucos que atendem pessoas sem plano de saúde (na Bolívia não existe um sistema de saúde pública amplo). Os estudantes chegaram ao local com cartazes, cestos grandes e os instrumentos musicais. Chamaram a atenção por estarem uniformizados e alegres numa manhã fria em um hospital lotado. Após ter visitado cada um dos setores do hospital levando alimentos e música, Uriel Castillo não conteve a emoção: “Conversei com pessoas que estão aqui solitárias, e elas descobriram Cristo por meio de nosso carinho.” Para ele, solidariedade não é simplesmente ajudar, “é olhar para o próximo e enxergar no outro alguém que precisa das mesmas coisas que eu e as merece”.

 

Uma boa ação leva a outra

Imagine um pedreiro trabalhando em uma obra. Passa um menino de esqueite e tropeça nas pedras. O pedreiro para e ajuda o garoto a se levantar. O menino agradece e segue seu caminho. Na hora de atravessar a rua, o esqueitista vê uma senhora cheia de sacolas e se oferece para ajudar na travessia. Eles cruzam a rua, ela agradece, e cada um toma um novo rumo. Aquela mulher embarca no ônibus e, ao perceber que a moça à frente está sem o dinheiro suficiente para a passagem, lhe dá as moedas que faltam. A jovem, agradecida, pode seguir viagem. Ao descer do ônibus, ela percebe que o rapaz que desembarcou primeiro esqueceu o telefone celular no banco do veículo. A moça corre até alcançá-lo e lhe entrega o aparelho, deixando o jovem extremamente agradecido. No meio do caminho, esse rapaz compra um lanche e percebe que um senhor pede comida na esquina. Ele compra um lanche e leva até lá, o que deixa o mendigo extremamente feliz. Esse, por sua vez, pega sua trouxinha de roupa e sai caminhando pelo bairro, até que vê uma menina e lhe avisa que a mochila dela está aberta. Ela agradece e segue seu caminho até a floricultura, onde compra flores para a mãe dela. No caminho para casa, encontra uma vendedora ambulante de água mineral exausta após um dia de trabalho. A menina rapidamente tira uma flor do buquê e dá para a senhora, que fica maravilhada com o gesto. Ainda sorrindo pelo presente da garota, a mulher decide pegar uma garrafinha de água mineral que sobrou e a oferece a um pedreiro que trabalha ao lado de sua casa. Esse roteiro saiu da mente de crianças de 12 anos de idade, alunas da Escola Adventista de Canelones, próxima a Montevidéu, no Uruguai. A história relata como boas ações retornam a quem teve a iniciativa de praticá-las.

 

GRATIDÃO EM TODO O TEMPO

“Pessoas que entendem e vivem a verdadeira liberdade são as que desfrutam as alegrias da vida  e, entendendo o sentido da felicidade, a compartilham por meio da solidariedade. Quando quem doa e quem recebe entendem isso, surge um novo sentimento: a gratidão, que completa o ciclo.” Assim o pastor Jael Eneas, diretor-geral espiritual adjunto do Unasp, resume o último valor enfatizado pela Rede Educacional Adventista neste ano: a gratidão. Mas, por que ser grato é importante? Segundo o dicionário, gratidão é “reconhecimento”. A gratidão genuína, no entanto, não se restringe ao que se esperava receber. A Bíblia indica que tudo é motivo para ser grato “porque esta é a vontade de Deus em Cristo” (1Ts 5:18).

 


Você sabia?

O Plano Mestre de Desenvolvimento Espiritual (PMDE) nasceu como projeto-piloto em 2016 em algumas Escolas Adventistas brasileiras. Só que neste ano o programa foi adotado por toda a Rede Educacional Adventista na América do Sul. Na prática, isso significa que anualmente quatro valores serão trabalhados em sala de aula e em projetos extraclasse. Em 2017, os temas bimestrais foram LIBERDADE, ALEGRIA, SOLIDARIEDADE E GRATIDÃO. Você pode ter mais informações sobre a proposta do programa no site educacaoadventista.com/pmde e conhecer outras histórias interessantes procurando nas redes sociais pela hashtag #PMDE.


 

 

Fonte: Revista Conexão 2.0 – 4º trimestre/2017. Autoria: Rebbeca Ricarte 
Imagem: K.C. / Fotolia
Rebbeca Ricarte
1 Comment
  • Sitia

    16 de outubro de 2017 at 22:00

    Como saber do internato para um adolescente

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