Estresse Ocupacional
| Por Patrícia Ramos
(Imagem: Amy Walters / Fotolia)
Os elementos característicos da síndrome de burnout são o cansaço emocional, desmotivação, sensação de fracasso, perda de energia, desgaste, esgotamento, fadiga e depressão. Salienta-se ainda a despersonalização do indivíduo manifesta através de irritabilidades, atitudes negativas e falta de motivação. Outro elemento é o sentimento de incompetência, ou seja, a falta de realização profissional que tem como conseqüência respostas negativas a si mesmo e à função exercida.
Os principais agentes causadores são o medo da demissão, carga exagerada de trabalho, prazos curtos e pressões por resultados.
O desenvolvimento da síndrome está associado às profissões onde o contato interpessoal é exigente, onde o profissional trabalha na solução de problemas de outras pessoas de forma ativa, onde o contato com colegas de trabalho e chefias é constante, onde o trabalho é realizado em equipe. Com tantas exigências, o sujeito pode desenvolver atitudes negativas com relação ao próprio trabalho, à equipe e aos colegas. A resposta ao estresse caracteriza-se pela desmotivação profissional, mal-estar interno, falta de rendimento e perda de responsabilidade.
As conseqüências
A síndrome de burnout traz conseqüências não só do ponto de vista pessoal, como também do ponto de vista institucional. Os prejuízos são contabilizados com o absenteísmo, a diminuição do nível de satisfação profissional e o aumento das condutas de risco. Além disso, termina por atingir e ter repercussões na esfera familiar.
Esse estresse é diferente do estresse genérico. Estresse é qualquer situação que provoca ameaça ou dano, onde o sujeito avalia como algo superior a ele, ou que ele se sinta incapaz de enfrentar. A diferença entre o estresse genérico e o estresse ocupacional está nas respostas às situações geradoras do estresse. No caso da síndrome de burnout, são provocadas pela tensão ao interagir e tratar constantemente com outras pessoas no ambiente de trabalho.
Manifestação
A síndrome de burnout, ou estresse ocupacional manifesta-se em áreas que vai da fadiga crônica à queda da qualidade no serviço prestado e uso de drogas. Veja as áreas mais afetadas:
1- Psicossomático. Fadiga crônica, freqüentes dores de cabeça, problemas de sono, úlceras e outros problemas gastrointestinais, perda de peso, dores musculares etc.
2- Comportamental. Absenteísmo ou ausência ao trabalho, abuso de drogas (café, tabaco, álcool, fármacos etc.), incapacidade para viver de forma relaxada, superficialidade no contato com os demais, comportamentos de alto risco e aumento de condutas violentas.
3- Emocional. Verifica-se distanciamento afetivo como forma de autoproteção, cansaço, impaciência e irritabilidade, sentimento de onipotência, desorientação, incapacidade de concentração e sentimentos de pressivos.
4- Deterioração funcional. Diminuição da capacidade para trabalhar, deterioração da qualidade dos serviços prestados aos clientes, aumento de reações hostis e comunicação deficiente.
(Imagem: William de Moraes – Modelagem em Biscuit: Marcelo Souza)
Soluções
Os administradores de recursos humanos devem estar conscientes de que a primeira medida para evitar a síndrome de burnout é providenciar para que as pessoas conheçam suas manifestações. Nesse caso, as estratégias para a intervenção devem contemplar quatro níveis. O primeiro deles é a consideração dos processos cognitivos de autoavaliação dos profissionais envolvidos. Eles devem desenvolver estratégias que permitam eliminar a fonte do estresse, evitar experiências estressoras e neutralizar as conseqüências negativas da síndrome.
Em seguida, devese buscar desenvolver estratégias individuais de adaptação ao estresse. É importante também treinar as pessoas para a busca da solução dos problemas. Quanto mais assertivas e capazes de controlar o tempo de forma eficaz, mais possibilidades terão de superar o estresse. Também podem ser usadas estratégias para esquecer os problemas relacionados ao trabalho e evitar a autocobrança. É preciso ainda estabelecer pequenos intervalos para descanso durante a jornada de trabalho. Esses intervalos, que para alguns administradores podem parecer prejuízo representam na contabilidade final um ganho. Outro fator importante é ter objetivos reais e possíveis de serem alcançados. Não adianta estabelecer alvos para agradar os superiores e depois se matar por causa disso.
Em relação ao grupo empresarial as estratégias passam por fomentar o apoio social entre funcionários e supervisores. Esse tipo de ação social deve oferecer suporte emocional, mas também inclui a avaliação periódica dos profissionais. Finalmente, a nível organizacional, é preciso desenvolver programas preventivos com o objetivo de melhorar o ambiente e o clima organizacional.
Patrícia Ramos é Psicóloga
(Imagem: Marcos Santos / SXC)
A psicóloga Ana Maria Rossi recomenda cinco atitudes básicas para evitar os danos causados pelo estresse:
1- Conheça o seu limite. Tenha disciplina mental para pisar no freio quando estiver ultrapassando o “máximo de carga ou velocidade permitida”.
2- Aprenda a lidar com as situações que estão fora do seu controle. Se não dá para mudar um fato ou pessoa, aceite a circunstância.
3- Cultive um estilo de vida saudável: dieta balanceada, alimentação nos horários corretos e sem pressa. Durma bem. Faça atividades físicas regulares e relaxamento.
4- Forme uma teia de relacionamentos. Vínculos afetivos dão segurança. Segundo os americanos, as pessoas precisam contar com a solidariedade de, no mínimo, três “ombros amigos”, situados em núcleos diferentes da vida (família, trabalho e igreja, entre outros).
5- Confie em si mesmo. A autoconfiança é uma espécie de colete salvavidas. Impede a pessoa de se afogar nas ondas do estresse.
Fonte: Medicina Social
[Fonte: Vida e Saúde Especial Estresse e Depressão, p.28 a 30]
Adelmália
#1Nunca tinha ouvido falar na síndrome de bournout. Gostei muito do tema e acredito que vai servir de alerta para muitos profissionais que vivem apenas para o trabalho.Todos devemos seguir a dica da Psicóloga Ana Maria Rossi e viver em busca da paz.
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