Os nove sintomas da depressão
| Por Neil Nedley
(Imagem: Jupiter)
Pode ser que nunca tenhamos passado pelo medo de “ficar loucos”, nem de entrar em uma psicose em que perdemos o contato com a realidade, mas todos nós já passamos por momentos em que nos sentimos abatidos ou deprimidos.
Mudanças de humor são parte normal da experiência humana. Mas alguns passam por uma forma de depressão que tende a se arrastar com o risco de consequências graves. Essa condição não é normal e necessita de atenção médica. Pode ser que o paciente não perceba sua necessidade de ajuda médica, ou não queira admiti-la. A má compreensão da depressão pode se tornar uma das nossas maiores ameaças.
O que é depressão?
A depressão maior é, de longe, o transtorno mais comum do humor. Cerca de 10 % da população sofrerá pelo menos uma crise desse tipo de depressão em sua vida.20 Ela afeta ricos e pobres, famosos ou de má fama, invadindo todos os segmentos da sociedade.
A depressão tem sido uma condição muito mal compreendida pela ampla maioria. É necessário compreender o que ela é, não apenas pelo fato de ser tão difundida hoje, mas também porque se está tornando mais comum a cada ano. Certo dia, li um artigo de uma das principais revistas de especialidades médicas. O escritor afirma que um de cada três pacientes que consultam um especialista em Medicina Interna tem depressão.
Como em qualquer enfermidade, toda doença tem uma causa. Um de meus professores, Dr. Albert Brust, falecido, enfatizava, por exemplo, que nunca devemos dar a alguém o rótulo de falência cardíaca congestiva. É nossa obrigação descobrir a causa subjacente dessa forma de falência. Seria um problema das válvulas do coração ou um problema elétrico, ou uma doença arterial coronariana (a causa mais comum), ou um problema de doença primária do músculo cardíaco? Poderia ser um problema hormonal originado em outro órgão e tendo efeito sobre o coração. É imperativo achar a resposta. Por quê? Para que possamos dar ao paciente o tratamento mais eficaz.
Mas o tratamento para insuficiência cardíaca congestiva não é o mesmo, seja lá qual for a causa? Sim e não. Alguns tratamentos de rotina são os mesmos, seja qual for a causa, tais como diuréticos e dieta com redução de sódio (sal). Mas, se quisermos estabelecer o melhor tratamento, teremos que determinar a causa. Além disso, dependendo da causa, a cura pode ser possível, de tal maneira que, com o devido tempo, o paciente não mais necessitará usar certos medicamentos nem estar sujeito a determinados regimes.
Querendo saber se esse raciocínio seria válido para o tratamento da depressão, fui levado a pesquisar e o estudo se mostrou altamente compensador para meus pacientes que sofrem com esse problema.
Desde que fiz a leitura daquele artigo de Medicina Interna sobre depressão, me tornei mais consciente dos seus sinais e noto pelo menos alguns elementos de depressão em um de cada quatro de meus pacientes. Desta forma, vejo pacientes depressivos todos os dias e, frequentemente, várias vezes ao dia. É lamentável que tantas pessoas deprimidas nem procurem a atenção de um especialista. Para cada paciente depressivo que vai ao médico há muitos outros que sofrem as consequências da depressão, mas não consultam o médico nem o psicólogo, nem qualquer outro profissional da saúde. Muitos não procuram ajuda simplesmente porque não reconhecem que seu sofrimento é causado por distresse mental.
Mundo depressivo
A depressão está aumentando em todo o mundo, e está acometendo pessoas cada vez mais jovens. Os maiores episódios de depressão estão ocorrendo aproximadamente aos 25 anos de idade, enquanto ocorriam anteriormente aos 40 anos (na assim chamada crise da meia-idade). O risco de alguém sofrer de depressão também tem aumentado com o tempo.
À luz da sociedade em que vivemos, esse aumento do risco de depressão é assustador. É inegável que estamos vivendo numa época em que cada vez mais pessoas estão se distraindo mais do que nunca. Essas distrações abrangem parques de diversões, cinemas, estádios e inúmeras formas de lazer, não esquecendo o aparelho de televisão, que está presente em 99% dos lares. Apesar dessa imensa gama de opções de entretenimento, estamos presenciando índices crescentes de depressão e tristeza. Será que não existe uma relação entre a busca de diversões e o fracasso em encontrar a felicidade duradoura?
O grande número de pessoas afligidas por esta doença e os custos envolvidos são enormes, sob a perspectiva clínica. A doença afeta 200 milhões de pessoas em todo o mundo, ou seja, uma em cada 30 pessoas da população mundial. Em 2001, só nos Estados Unidos, ela afetou 19 milhões de cidadãos (uma de cada 16 pessoas). Os custos do tratamento dessa enfermidade ultrapassam os 70 bilhões de dólares por ano. Esse valor se aproxima do montante gasto com doenças cardíacas, a principal causa de morte naquele país. Desde 1991, as vendas de remédios antidepressivos subiram mais de 800%, atingindo 10,2 bilhões de dólares. O número de pessoas medicadas com antidepressivos também tem revelado crescimento uniforme.
O que a depressão não é
Alguns tipos de depressão não são considerados doenças. Sentimentos depressivos podem surgir na vida de qualquer pessoa, em resultado de eventos traumáticos e outras situações, mas são reações normais, não associadas com alguma doença.
Sentimentos depressivos, associados com essas situações, vão se aliviando com o tempo, à medida que aprendemos a continuar com a vida. Essa forma de depressão leva o nome de situacional.
Além das ocorrências traumáticas, a lista inclui a segunda-feira triste [Blue Monday]. Quase todos terão um dia triste em alguma ocasião, mesmo que não seja exatamente uma segunda-feira. Em tais dias, a energia estará decaída, e a concentração, difícil. Comentários, que ordinariamente seriam considerados piadas, poderão ser tomados por insultos. Esses dias “fora” do padrão são, às vezes, resultado de uma causa definida e identificável como, por exemplo, perda de sono – coisas do tipo “dia seguinte”. Outras vezes, esses dias podem vir sem aviso prévio e sem nenhuma causa aparente. Felizmente, é possível prevenir pelo menos a maioria dos dias de baixo astral. Não obstante, o mau humor ocasional não é sinônimo de doença ou enfermidade mental.
Entenda os termos
Hans Selye, o grande pesquisador do estresse e da síndrome de adaptação, introduziu os termos distresse e eustresse, com o fim de melhorar a compreensão do estresse.
Distresse – É o estresse prejudicial ou desagradável.
Eustresse – É o estresse resultante de desafios que, quando enfrentados, produzem satisfação.
Estresse – É um estado de ansiedade, medo, preocupação ou agitação, com resultados psicológicos negativos e dolorosos, que precisa ser evitado.
O Impacto da Depressão
Afeta 200 milhões de pessoas em todo o mundo.
O número de pessoas que sofrem de depressão vem aumentando desde 1915.
A doença parece estar atacando pessoas cada vez mais jovens.
Os episódios maiores de depressão já estão ocorrendo por volta dos 25 anos.
Fatos Sobre a Depressão
Depressão maior é a manifestação mais comum de transtornos do humor.
Não tem barreiras culturais, sociais ou econômicas.
É muito mal compreendida.
Acomete um de cada três pacientes de Medicina Interna.
O tratamento adequado pode atenuá-la eficazmente ou curá-la.
A maioria dos casos pode ser tratada numa base ambulatorial.
[Fonte: Revista Vida e Saúde.Dez. 2009, p.9 e 14]
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