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Cafeína

| Por Vida e saúde - Abr .2009

(Imagem: Daniel Oliveira)

Causa surpresa saber que a literatura médica relata seis casos de morte por overdose de cafeína (Aconselhamento em Dependência Química, p. 148, Editora Roca, 2004). Acontece que estamos tão acostumados a usar essa droga, que não causa nenhum espanto identificá-la como ingrediente não somente de remédios, mas também de doces, chocolates, chás, refrigerantes e bebidas energéticas. A cafeína é remédio analgésico para dor de cabeça e enxaqueca, devido à sua capacidade de contrair os vasos sanguíneos do cérebro. 

Certamente a cafeína, quimicamente, a trimetilxantina, adquiriu popularidade, pulou os muros dos laboratórios farmacêuticos e invadiu a indústria de alimentos especialmente porque sua ingestão diminui a sensação de tédio. Pessoas que realizam atividades repetitivas ou que trabalham em período noturno, por exemplo, sempre buscam um meio de burlar o sono e o cansaço, comendo ou bebendo algo.

Há ainda as bebidas energéticas como a austríaca Red Bull ou a Flash Power, a Burn e outras, sucessos entre a juventude. Essas bebidas funcionam à base de vitaminas e dois estimulantes, taurina, que sempre aparece em maior quantidade na fórmula, e a cafeína. Misturadas com álcool, se tornam verdadeiras bombas, mais potentes até do que drogas pesadas como a cocaína.

A cafeína tem efeito duplo: em doses reduzidas aumenta o estado de alerta, combate a fadiga, diminui a sonolência, melhora o humor e “energiza”. Bastam, por exemplo, 200 mg de cafeína, ou seja, duas xícaras de café, para ativar o córtex cerebral e obter esses efeitos. Mas em altas doses, a cafeína pode ter efeitos reversos, indesejáveis para a saúde em geral, podendo até matar.

O uso frequente de altas doses de cafeína pode provocar problemas físicos como perda óssea, taquicardia, tensão muscular, insônia, úlceras, prisão de ventre, dor de cabeça, hipertensão tonturas e tremores. Entre os problemas psicológicos estão ansiedade, agitação, alteração do humor e depressão.

Por se tratar de uma substância que circula legalmente em produtos tão desejados e populares como café, chocolate e refrigerantes, pode parecer um despropósito abordar o tema dessa forma. Entretanto, mesmo que economicamente a cafeína seja viável para a indústria e o comércio em geral, o uso abusivo da substância, como acontece atualmente, nos permite acender uma luz amarela de atenção. Além do mais, há muitas outras formas saudáveis de espantar o tédio. Talvez elas não sejam tão rápidas ou tão imediatas, mas, com certeza, evitar o uso de substâncias estimulantes será sempre melhor para o funcionamento normal do nosso corpo.

Aqui tem cafeína


Red Bull     80 mg
Flash Power   80 mg
Flying Horse   64 mg
Burn     37 mg


Café expresso  250 - 330 mg
Café descafeinado   1 - 5 mg
Café tradicional   40 - 180 mg
Café solúvel    30 - 120 mg


Coca-cola  45 mg
Diet Coke 45 mg
Pepsi-cola 40 mg

Cafeína em doses

200 mg, diminui a sonolência e a fadiga e pode acelerar a perda óssea.

+ 300 mg, aumenta o risco de aborto.

500 mg, aumento dos batimentos cardíacos e do ritmo respiratório.

1 g e mais, tinidos no ouvido, visão de flashes luminosos e convulsões.

Entre 3 e 8 gramas, convulsões, colapso respiratório e morte.

Refrigerantes diversos 2 - 20 mg, cálculo para 400 ml

Chá-verde 35 mg, cálculo para 200 ml

Chá-preto 70 mg, cálculo para 200 ml

Medicamentos analgésicos 30 - 200 mg

Remédios para resfriados 30 - 100 mg

Chocolate em barra (100 g) 20 mg


[Fonte: Vida e saúde - Abr .2009 p.16 e 17]

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