Fatores de risco e o desempenho escolar
| Por Lilian Larroca
Crianças em sala de aula (Imagem: Monkey Business/Fotolia)
Contando com a colaboração de pesquisadores que, em 2009, colheram dados em todas as regiões brasileiras, o projeto “Atenção Brasil” conseguiu delinear o risco de crianças e adolescentes apresentarem baixa saúde mental, bem como de obterem baixo desempenho acadêmico.
Os fatores de risco definidos como variáveis, que aumentam a chance de uma pessoa ou grupo desenvolver determinadas doenças, estados ou condições, podem ser genéticos, biológicos, ambientais, psicológicos ou socioeconômicos. Na pesquisa, houve uma notória prevalência dos fatores de ordem socioeconômica, psicológica e ambiental para o baixo desempenho acadêmico. Entretanto, esses fatores não atuam apenas de maneira isolada. Eles podem interagir entre si, de forma combinada, aumentando a probabilidade de uma criança apresentar os problemas estudados.
Segundo a pesquisa, os fatores de risco para baixos índices de saúde mental e desempenho escolar foram o sexo masculino, adolescência, pais separados, não morar com um ou ambos os pais, baixo grau de instrução dos pais, pertencer a classe econômica baixa (D/E), viver em cidades de grande porte, uso de álcool ou tabaco pela mãe durante a gestação e incapacidade de adiar recompensas.
Fatores de risco
| 1. Sexo masculino |
Meninos apresentam um risco 1,7 vezes maior de insucesso escolar; |
| 2. Adolescência | Adolescentes apresentam um risco 1,6 vezes maior que crianças; |
| 3. Separação dos pais |
Filhos de pais separados um risco de insucesso 1,5 vezes maior; |
| 4. Ausência parental | Crianças e adolescentes que não moram com um ou ambos os pais um risco até 1,8 vezes maior; |
| 5. Instrução familiar | Baixo grau de instrução do chefe da família representa um risco até 5,8 vezes maior; |
| 6. Classe econômica | Pertencer à classe econômica baixa (D/E) representa um risco até 4,8 vezes maior; |
| 7. Infelicidade | Se para os pais a criança ou adolescente não é feliz, um risco 2,8 vezes maior; |
| 8. Utilização de substâncias |
Se a mãe usou substâncias durante a gestação da criança, como tabaco, um risco 1,7 vezes, e álcool 1,5 vezes maior; |
| 9. Ocorrência de TDAH* | A criança com TDAH corre um risco 15 vezes maior de fracasso escolar. |
| 10. Incapacidade para adiar recompensas |
Se uma criança apresenta incapacidade de adiar recompensa, seu risco de fracasso é 2 vezes maior. |
| 11. Saúde Mental | Crianças com baixo índice de saúde mental correm um risco 4,8 vezes maior de fracasso que outras crianças. |
A importância de determinar os fatores de risco e analisá-los é a possibilidade de tomar medidas, pessoais ou coletivas, para a proteção das crianças. Embora alguns problemas acima não possam ser evitados ou escolhidos pela família, outros podem, através de conscientização, deixar de ameaçar a saúde mental e o sucesso profissional das crianças. Uma família não tem como escolher o sexo de seu filho, ou como impedi-lo de chegar à adolescência, porém pode evitar que esses fatores sejam combinados a outros, preservando a integridade da família, ensinando-o a lidar com as frustrações e, assim, aumentar sua capacidade de adiar recompensas, por exemplo.
O levantamento mostra ainda que alguns desses fatores precisam ser eliminados através da elaboração de políticas públicas que visem a diminuição de hábitos que resultam em risco, como a conscientização das gestantes sobre a importância da abstinência de álcool e tabaco durante a gravidez, de investimentos que promovam o desenvolvimento social, como uma distribuição de renda mais apropriada, que diminua as desigualdades sociais e um projeto de educação que aumente, paulatinamente, o grau de instrução das famílias, proporcionando um ambiente mais apropriado ao desenvolvimento das crianças.
* TDAH – Transtorno do déficit de atenção e hiperatividade.
Fonte:
Arruda MA, Almeida M, Bigal ME, Polanczyk GV, Moura-Ribeiro MV, Golfeto JH. Projeto Atenção Brasil: saúde mental e desempenho escolar em crianças e adolescentes brasileiros. Análise dos resultados e recomendações para o educador com base em evidências científicas. Ed. Instituto Glia, Ribeirão Preto, SP, 2010.
monica pedreira
#1A permissividade paterna em oposição aos conceitos de educação social podem fazer a criança não conseguir adaptação no ambiente escolar e tornar seu aprendizado um momento difícil e desgostoso. A criança deve ter consciência de sua necessidade de inserção e que a adaptação social levará a um aprendizado tranquilo e eficaz para sua formação.
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