Emoção não é amor
| Por César Vasconcellos de Souza
(Imagem: William de Moraes)
Amor vivido como sentimento de paixão é passageiro, ainda que dure meses. Psicólogos afirmam que dura uns dois anos, antes de se cair na realidade e começar a surgir atritos difíceis no relacionamento, talvez os mesmos do casamento anterior, ou do atual na vida da pessoa que mantém um(a) amante.
Inevitavelmente, haverá um momento em que os apaixonados terão que se defrontar com as dificuldades de si mesmos e do companheiro(a), pois todas as pessoas têm dificuldades de comportamento, algumas mais complexas, outras menos. Se não forem resolvidas dentro de você, racionalmente em sua consciência, essas fraquezas pessoais também farão estrago num novo relacionamento. A paixão esconde essas dificuldades. Não “liga” para elas, porque está tomada pela emoção. O sentimento apaixonado também mascara as dificuldades de comportamento da outra pessoa apaixonada. Um não vê os erros do outro, nem os próprios, que podem permanecer abaixo da superfície da consciência por um bom tempo. Nessa fase, ambos podem jurar ter encontrado o “amor da vida”. Na realidade, sentem isso porque estão usando “óculos escuros emocionais”, que protegem da visão da verdade e da realidade de cada um e do outro. Se há sexo, então a lente dos óculos é ainda mais escura, porque o prazer físico mascara a dor dos problemas comportamentais que estão à espera e em necessidade de resolução.
A paixão emocional esconde da pessoa as dificuldades que ela tem, porque a aprisiona num êxtase semelhante ao efeito de uma droga. Naquela hora, é tudo “paz e amor”. Quando o efeito acaba, a relação fica cinza, como um dia nublado. Então, chega o momento de se lidar com a realidade, a dor, a limitação, a frustração, a necessidade de mudança interior que a emoção narcótica só promete, mas não faz.
Se você se relaciona com alguém casado que se diz apaixonado por você, já se perguntou sobre o que ocorreu entre essa pessoa e seu cônjuge? Serão verdade todas as críticas que ela faz para você sobre o cônjuge dela? Se você escutasse aquela pessoa, o que ela diria de seu(sua) amante? Existe casamento em que o problema é de um só? Que limitação dessa pessoa com quem você mantém uma relação faz o casamento dela infeliz? Ou você está ingenuamente crendo que problemático(a) é somente o esposo/esposa dele(a)? Que segurança tem uma pessoa que é amante de alguém casado? Ao surgirem problemas, que certeza haverá de que essa pessoa não fará o mesmo numa nova relação?
Quando surgem dificuldades de relacionamento conjugal, cada um deve fazer o máximo pelo seu casamento. É preciso muita conversa, ler bons livros, ter aconselhamento, ir a encontros de casais, etc.
Estudos em terapia de casal e família revelam que, quando se rompe o casamento sem resolver dificuldades emocionais pessoais, há 60% de chance de o segundo casamento ser rompido.
Se você não amadurece como pessoa, uma paixão não faz isso. Pelo contrário, ela o envolve ainda mais na imaturidade. Amor é um princípio de ação e não tem nada que ver com a volubilidade de uma paixão. As novelas também não ensinam isso. Pelo contrário.
[Fonte: Vida e Saúde – Out 2010, p.23 e 24]
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