Mundo violento
| Por Julián Melgosa
(Imagem: Thiago Lobo)
Trata-se de problema muito sério que exige a ação das autoridades locais e de pais e professores, pois a violência somente será erradicada de alguém quando ela for incompatível com seus valores pessoais. Existe a tendência para a conduta violenta em muitas crianças, que já é demonstrada desde a idade pré-escolar. A meta, então, deve ser canalizá-la para o diálogo, tolerância e respeito para com os outros, em vez de se defender com as próprias mãos quando houver diferenças.
Medidas preventivas
Pais de crianças com pouca idade têm mais oportunidade para guiar os filhos no caminho das relações pacíficas. Professores da idade pré-escolar também podem exercer essa importante função. As crianças que exigem maior cuidado são:
- As que frequentemente demonstram irritação por mais de quinze minutos.
- Brigam com outras crianças sem causa aparente.
- Não demonstram possuir vínculo afetivo com os pais (não os abraçam, não são carinhosas nem sentem necessidade de permanecer junto deles em locais desconhecidos).
- Assistem com frequência a programas violentos na televisão ou no computador.
Para ajudar esses pequenos com dificuldades para controlar seus impulsos, observe as seguintes dicas:
- Use um tom de voz pacífico. Não grite, nem faça ameaça. Experimente usar um tom suave de voz. Relacione-se com a criança demonstrando carinho, apoio e compreensão. Mostre calma e serenidade em sua conduta.
- Supervisione-as constantemente. Evite deixar as crianças brincando sem nenhum controle. Nessas condições elas acabam brigando, enquanto que a presença de um adulto ajuda a limitar seus impulsos. Se deixar seu filho aos cuidados de outra família, certifique-se de que se trata de um ambiente seguro, respeitoso e livre de casos de violência.
- Controle o uso da televisão e dos DVDs. Os DVDs comprados ou emprestados e os programas de televisão devem ser adequados às crianças (sem violência). Assista com seus filhos e fale com eles a respeito do programa ou filme. Assegure-se de que eles entendem que a violência é inaceitável.
- Dedique tempo aos filhos. Fale com eles e os ouça também; brinque e realize o maior número de atividades que puder com eles.
- Evite o castigo físico. Espancamentos, bofetadas, puxões de orelha e outras formas violentas de castigo podem produzir obediência, no entanto, acarretam sérios inconvenientes. Um deles é o exemplo violento, que leva a criança a imitar. Substitua esses métodos pela redução de atividades (ficar sem brincar, sem sair, sem computador, sem televisão, etc.).
- Seja firme em matéria de disciplina. As normas da família devem ser poucas, mas devidamente respeitadas. O que é inaceitável é sempre inaceitável. A irregularidade na aplicação das normas cria insegurança, irritação, frustração e, finalmente, agressão.
Tela violenta
Existe um longo histórico de pesquisas que apresentam a relação entre os programas violentos de televisão e a violência de quem os assiste. Um estudo (Huesmann et al., 2003) da Universidade de Michigan (EUA) demonstrou que a conduta agressiva de adultos no ano de 2003 se relacionavam com cenas da televisão anteriores a 1977.
Os dados colhidos em 1977, de mais de quinhentas crianças com idade entre seis e dez anos, foram comparados ao nível de violência 25 anos depois.
Os resultados foram impressionantes. Os que na idade adulta demonstravam alto nível de violência eram exatamente os que haviam presenciado cenas de maior violência na televisão durante a infância. No restante do grupo foi observado que 42 % de homens e 40 % de mulheres haviam usado de violência para com o cônjuge, e quase 70 % usaram de violência para com outra pessoa, ao menos uma vez nos últimos doze meses.
Como enfrentar uma situação violenta
As situações inesperadas de violência no mundo adulto são difíceis de enfrentar. Diante de uma pessoa ameaçadora ou disposta a praticar violência, considere estas medidas: não fique parado nem reaja. Use um tom de voz suave para prevenir a ação agressiva; Colabore. Mostre-se tão amigável e natural quanto lhe seja possível. Coopere com a pessoa no que puder; Ganhe tempo. Atue vagarosamente e com calma para dar tempo de chegar ajuda ou que a pessoa agressiva se acalme; Uma vez fora de perigo, evite que o incidente se repita. Se o agressor for desconhecido, reforce as medidas de segurança. Se a pessoa é conhecida (por exemplo: um membro da família), use estas medidas preventivas:
- Procure o momento adequado para falar sobre o que ocorreu. Não caia no erro de pensar que, se mantiver silêncio sobre o assunto, o fato não tornará a acontecer.
- Fale a respeito dos motivos que provocam a violência e sobre a maneira de evitá-la.
- Demonstre a postura clara e firme de que essa conduta é inaceitável e que não pode ser tolerada.
- Se a situação não mudar para melhor, procure ajuda profissional, pois, devidamente tratada, a violência pode ser menos intensa e ter solução.
- Se for testemunha de algum ato violento, mesmo que não seja com você, não apoie, nem fique olhando como se fosse um espetáculo. Procure alguém que possa ajudar ou chame a polícia e leve a sério sua oposição à agressão e à violência. Os jovens precisam ser informados sobre a realidade da violência, sua origem e consequências; e ainda devem conhecer a opção que todos têm de escolher o diálogo em lugar da violência; O perigo da violência psicológica através de palavras e atitudes ferinas e o valor de ser pacificador, mediador nos conflitos alheios.
Um lar com ambiente tranquilo, no qual é oferecido um bom exemplo de comportamento civilizado e pacífico, é uma poderosa medida para diminuir a conduta violenta. Invista nisso.
Julián Melgosa é doutor em Psicologia e Escritor
(Imagem: Thiago Lobo)
Se observar em seus filhos alguns dos sintomas seguintes (especialmente se for mais de três) procure colocar em prática, de maneira especial, os conselhos dados nesta matéria para prevenir a conduta violenta:
Criança na escola fundamental
- Apresenta problemas de atenção e concentração.
- Costuma irritar e provocar outras crianças.
- Tem a tendência de brigar com outras crianças na escola ou na rua.
- Tira notas baixas constantemente.
- Perde o controle e fica sempre muito aborrecida se fazem brincadeira de mau gosto com ela.
- É rejeitada pelas outras crianças devido à sua atitude.
- É cruel com os animais domésticos.
- Não tem paciência e fica excessivamente frustrada quando as coisas não saem bem.
Adolescente
- É extremamente rebelde para com os pais, professores e outros adultos.
- Não respeita os direitos dos outros.
- Ingere álcool ou usa drogas.
- Falta às aulas sem razão justificada.
- Queixa-se demasiadamente de que é tratado de forma injusta.
- Associa-se com outros jovens de má reputação.
Como evitar ser vítima da violência
Crianças, idosos e mulheres estão, de maneira especial, na mira de pessoas violentas. Para evitá-las, siga as seguintes orientações e instrua os que são mais propensos a serem vítimas.
- Em suas andanças habituais, evite seguir o mesmo itinerário todos os dias. Use caminhos, ruas, meios de transporte alternativos, de forma aleatória.
- Evite sair sozinho. Procure a companhia de algum amigo ou companheiro.
- Nunca provoque com atitude, palavras ou olhar, especialmente os grupos étnicos diferentes.
- Tenha um plano antecipado. O que você faria se fosse assaltado? Que telefone usaria em caso de emergência? Como reagiria diante de alguém com intenções duvidosas?
- Não abra a porta antes de ter certeza de quem está do outro lado. Use a janelinha da porta ou olho “mágico”, ou a voz, etc., antes de abrir.
- Não fale com desconhecidos. Essa medida é especialmente indicada para as crianças; mas, com o crescente número de pessoas perigosas, hoje se torna válida para muitos adultos em muitos lugares.
- Procure atuar junto da comunidade: amigos, vizinhos, etc., e participe em projetos que reafirmem essa convivência com ações voluntárias, serviço comunitário no bairro, etc.
(Imagem: Thiago Lobo)
Seminários e aulas sobre solução de conflitos constituem uma maneira racional de apresentar alternativas contra a violência. Um programa de solução de conflitos costuma mostrar como:
- Escolher o melhor momento para dialogar. Saber esperar o clima emocional adequado. Evitar o momento tempestuoso quando se está “com a cabeça quente”.
- Usar a primeira pessoa no diálogo: “Eu acredito que...” “Isso me faz sentir...”.
- Evitar frases na terceira pessoa: “Você pensa que...” “Você acredita que...”.
- Ouvir com atenção e estar certo de haver entendido.
- Dialogar sobre possíveis soluções, avaliando vantagens e desvantagens.
- Manifestar atitude positiva, reconhecendo e perdoando o ofensor.
- Concluir com uma solução de comum acordo, sem que nenhum saia como perdedor.
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