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Câmaras de gás

| Por Fabiana Bertotti*

(Imagem: Shutterstock)

A placa estava bem ao lado, mas eles a ignoravam solenemente. O aviso, espalhado por todas as colunas e paredes da entrada(coberta!) do Aeroporto Internacional de Guarulhos parece não incomodar quem quer fumar. À aproximação e à pergunta: “Vocês sabiam que aqui não pode fumar?”, eles vêm logo com risadas e explicações evasivas: “Mas é que é difícil achar um lugar sem
cobertura, sabe. Lá dentro não pode, aqui não pode, pode onde?”

Em lugar nenhum! Na verdade, só ao ar livre, segundo querem os governos de alguns Estados como Rio de Janeiro, Paraná e São Paulo que saíram à frente e criaram leis estaduais e outras municipais proibindo o espaço chamado fumódromo onde as pessoas
se refestelavam em meio à cancerígena fumaça. Mas isso, contra todo bom senso, está sendo questionado por senadores com argumentos e intenções duvidosas, como Romero Jucá que argumenta ser inconstitucional uma lei estadual ou municipal proibir o que a lei federal aprovou: fumódromos!

Pois é! A lei de 1996 que permite os fumódromos vem sendo questionada por muitos anos já que cientificamente se constatou a inviabilidade desses ambientes altamente insalubres que eram mantidos em empresas, bares, restaurantes e aeroportos. Além do incômodo, a fumaça é prejudicial à saúde e o Inca – Instituto Nacional do Câncer – aponta que em 2008 mais de seis mil pessoas fumantes passivas morreram em decorrência dos males do cigarro. Gente que mesmo sem fumar, convive com a fumaça, como garçons, por exemplo. “O que precisamos mesmo é mudar a lei federal de 1996 que é defasada e permite o fumo em ambientes fechados e restritos o que agrava ainda mais o problema. O difícil é furar o poderoso lobby da indústria do cigarro que conta com aliados no Senado. Tudo o que eles querem é dinheiro, não importando a morte de tantas pessoas”, avalia Tânia Cavalcante, coordenadora do Programa de Controle do Tabagismo do Inca.

A briga na justiça promete ser longa e regada a ânimo acirrado. De um lado, profi ssionais da saúde e o povo querendo mais vida, do outro a poderosa indústria do tabaco querendo mais viciados. Contudo, mesmo esses dependependentes químicos são favoráveis às restrições ao fumo e a recente pesquisa do International Tobacco Control (ITC), deixou isso comprovado em números. A organização que avalia as políticas públicas de combate ao fumo em 20 países divulgou que no Brasil 65% dos
fumantes aprovam as restrições, número maior entre os não fumantes: 80%. Dos fumantes brasileiros, 82% já sofreram
com doenças associadas ao fumo.

“As pesquisas apontam que a proibição dos fumódromos em empresas e indústrias reduziu o consumo de cigarro entre 10% e 15%. Isso signifi - ca perda de dinheiro e a indústria do tabaco não quer perder grana”, reafi rma Tânia que encontra eco nas ruas.
Esperando para embarcar, o casal curitibano Andressa e Leonardo Lorenzetti, estavam aproveitando para fumar enquanto davam a entrevista. “É ruim não ter tantos lugares disponíveis para fumar, mas isso acabou reduzindo minha quantidade de cigarros
por dia. Hoje acho que fumamos de 30% a 50% menos, já que quando não tem lugar permitido, tem que esperar uma ou duas horas até chegar”, explica Andressa e Leonardo complementa resignado “Sem falar que dá preguiça ir até um local aberto e tal. Temos vontade de parar, mas não fazemos nada pra mudar e não temos força de vontade. Já fumamos há mais de 10 anos”.

Dona de casa e fumante há 35 anos, Eliete Lopes, 54, é uma das pessoas que ignorava os avisos de não fumar em São Paulo, mas garante que apoia os projetos de restrição. “Eu adorei estas medidas todas, pois diminui o cheiro e a poluição nos restaurantes e nas salas fechadas. É mais difícil agora e mesmo já fumando há três décadas, hoje só estou com um maço de cigarro por dia. Antes era mais”. José Sebastião da Silva, 71 anos, diz que não consegue largar o vício e se as autoridades quisessem mesmo cuidar da saúde das pessoas deveriam ser mais radicais. “Acho que deveriam acabar é com as empresas que fazem o cigarro, pois depois de estar viciado é difícil largar!”, pondera Silva.

Enquanto medidas mais efetivas não vêm, a fi scalização e os pontos de apoio para quem quer largar o vício também ficam distantes. A briga no Senado gira em torno de argumentos pífi os e não convencem, daí o jogo se transforma em empurra-empurra para que nada saia do papel. Um dos argumentos é que os bares e restaurantes vão perder clientes e isso é ruim para a economia. Outro é que as mudanças querem proibir a todos de fumar e isso é contra a legislação. Lamentável!

Anualmente, 200 mil pessoas morrem vítimas do cigarro no Brasil. No mundo, os dados passam de 5 milhões, segundo a Organização Mundial da Saúde. Estamos na trágica marca de 100 milhões de mortes no século 21, mais que qualquer guerra ou epidemia.
E doença mesmo é ignorar os efeitos do mal, como têm feito alguns de nossos representantes públicos.

Se você fuma e quer parar, anote estas sugestões:


Atitude. Decida fazer isso sem fazer promessas. Só decida.

Liberdade. Jogue fora o maço de cigarro que você tem em casa ou no bolso. Prejuízo maior é destruir a saúde.

Desintoxição orgânica:

Beba bastante água.

Fique um dia sem comer, tomando suco de frutas à vontade.

Não coma frituras, pimenta, mostarda, vinagre nem carne vermelha. Prefira frutas, hortaliças cruas e cereaisintegrais. Tempere sua comida com limão, sem vinagre.

Evite cafeína e açúcar. Não beba refrigerantes nem café.

Movimente-se. Faça exercícios físicos. Comece com caminhadas leves, respire profundamente e vá aumentando a carga.

Ao acordar tome um banho quente, faça uma ducha fria logo após e uma boa fricção ao enxugar-se. Antes de dormir tome um banho morno para relaxar.

Confi e no poder de Deus para ajudálo(a). Caso fracasse na primeira tentativa, continue na luta pois você já decidiu e vai
vencer. “Tudo posso em Deus que me fortalece.”

*Fabiana Bertotti é jornalista

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