Não tão antigos
| Por Michelson Borges
(Imagem: Shutterstock)
Uma equipe de pesquisadores em Lund, na Suécia, descobriu material biológico no fóssil de um lagarto varanoide extinto (um mosassauro) há supostos 70 milhões de anos. Utilizando tecnologia de ponta, os cientistas foram capazes de associar as moléculas proteináceas a fibras isoladas da matriz óssea do fóssil. Em outras palavras, os pesquisadores encontraram restos genuínos de um animal extinto e preso na rocha.
Com sua descoberta, publicada na revista PLoS ONE, os cientistas Johan Lindgren, Per Uvdal, Anders Engdahl e os colegas demonstraram que resíduos de colágeno do tipo I, uma proteína estrutural, foram preservados em um fóssil de mosassauro. Anteriormente, outras equipes de pesquisadores identificaram peptídeos derivados de colágeno em fósseis de dinossauros. Mas a pesquisa com o fóssil de mosassauro fornece evidência convincente que sugere que as biomoléculas recuperadas são primárias, ou seja, não se trata de contaminantes de biofilmes bacterianos recentes ou de proteínas do tipo colágeno.
Alguns anos atrás, foram encontrados tecidos moles de um T-rex, numa região de dunas do Estado de Montana, nos Estados Unidos. O achado causou grande rebuliço (relativamente ignorado na grande imprensa), já que não era de se esperar esse tipo de tecido preservado em fósseis com supostos milhões de anos. Uma das possibilidades aventadas então foi a de que teria havido algum tipo de contaminação por biofilmes bacterianos e que as biomoléculas não seriam primárias. Agora, nessa nova descoberta em Lund, os próprios pesquisadores já adiantaram não se tratar de contaminantes de biofilmes bacterianos recentes ou de proteínas do tipo colágeno; as biomoléculas recuperadas são primárias.
Em março de 2009, cientistas dos Estados Unidos e da França anunciaram a descoberta de tecido cerebral de supostos 300 milhões de anos, recuperado de uma bolha dentro da caixa craniana do fóssil de um precursor extinto das quimeras, conhecido como iniopterygian, achado no Estado americano do Kansas. O próprio fato de existir um cérebro com todas as suas complexidades (sinapses, neurônios, glândulas, etc.) há 300 milhões de anos (segundo a cronologia evolucionista), já é algo impressionante. A reportagem diz que, “no início da era paleozoica, o peixe já apresentava características bastante peculiares”. O início da era paleozoica compreende os períodos cambriano, ordoviciano, siluriano, etc., ou seja, é o “princípio” da vida multicelular. Como pode ter havido tempo para a evolução de algo tão complexo quanto o cérebro, mesmo que de um animal como iniopterygian? Além disso, novamente causa estranheza a preservação de tecido mole por tantos milhões de anos. Mas tem mais.
Em maio de 2008, cientistas associados à National Geographic anunciaram a descoberta de um dinossauro mumificado, cujos restos incluem ossos, pele e músculos parcialmente conservados. A descoberta do hadrossauro, de quase oito metros e com supostos 67 milhões de anos, é “um dos achados mais importantes dos últimos tempos”, informou a instituição em comunicado. Os cientistas encontraram o dinossauro no estado de Dakota do Norte e deram a ele o nome de Dakota. Os restos foram submetidos a um estudo meticuloso. Embora os especialistas comparem Dakota a uma múmia, seus restos foram achados fossilizados em pedra, inclusive os seus ligamentos, tendões e, possivelmente, até órgãos internos.
Segundo matéria publicada pela Folha de S. Paulo, na época, “os animais normalmente se decompõem rapidamente após a morte, mas graças à mistura de água, areia úmida e outros sedimentos a fossilização do dinossauro aconteceu antes que ele se decompusesse”. Note bem: água, areia úmida e sedimentos promovem a boa preservação de organismos sepultados. Fósseis são encontrados em todas as partes do mundo, alguns são gigantescos, como certos tipos de dinossauros, o que demandou grandes quantidades de água e sedimentos. A maioria desses fósseis de dinossauros revela que os animais morreram em estado de agonia/sufocamento, pois têm a boca aberta e a cauda retorcida. Outros foram sepultados no momento em que davam à luz ou devoravam a presa. Em outras palavras, a morte e o sepultamento foram instantâneos, causados por algum evento catastrófico. Isso não lhe diz nada?
Voltemos ao colágeno de “milhões de anos”. Cientistas têm realizado experiências em que são observadas as taxas de decaimento da proteína colagênica. Uma equipe liderada pelo pesquisador Jeffrey Bada descobriu que “a hidrólise interna fragmenta a proteína original” de modo que ela se deteriora espontaneamente. Eles calcularam que o colágeno preso dentro de um osso sólido decai mais rapidamente que o colágeno embutido nas conchas marinhas.
O fato é que, na ausência de um catalisador, a meia-vida para a hidrólise de um peptídeo com pH neutro está estimada entre dez e mil anos. Isso significa que, depois de mil anos, metade da proteína original – se mantida seca e fria – deve se desintegrar. Passados mais mil anos, outra metade decai. A essa taxa de deterioração seria interessante saber se uma proteína do tamanho do nosso planeta poderia sobreviver 70 milhões de anos!
Como é possível que a hipótese de que o colágeno durou 70 milhões de anos se mantenha, mesmo depois de experiências laboratoriais demonstrarem que isso é impossível? Pelo visto, mais uma vez, querem salvar a teoria dos fatos.
Michelson Borges, editor do blog www.criacionismo.com.br e autor do livro A História da Vida
clevert.vidal
#1"Parabens de novo, Sr Michelson Borges"
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