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Um novo dia da Independência!

| Por Portal da Educação Adventista

Ao anunciar o projeto sobre o novo marco regulatório do Brasil para a exploração de petróleo, em 31 de agosto de 2009, o presidente referiu-se àquele dia como “um novo dia da Independência”. A referência do presidente à Independência se fez em função de se apresentar o pré-sal como originador de grandes lucros, sendo possível melhorar a saúde e a educação, investir em desenvolvimento tecnológico e resgatar a grande dívida social do país com seu povo pobre. Se isso se tornar realidade, será realmente uma data marcante.

Mas... e o 7 de setembro o que significou para nosso país? Que mudanças ocorreram? E ainda mais: como nós professores podemos trabalhar a questão na atualidade?

O 7 de setembro de 1822 marcou o rompimento político do Brasil com Portugal. Entretanto não significou grandes mudanças na vida do povo. Não terminou a escravidão, não houve divisão de riquezas e o desenvolvimento ficou restrito a poucos lugares e a pequenos grupos. Os direitos individuais também não sofreram acréscimos significativos. O mandatário continuou o mesmo: Pedro I. A dependência econômica da Inglaterra e nosso papel de país produtor de matérias-primas também não se modificaram.

Já passou o tempo em que se exaltava D. Pedro I como o libertador do Brasil. A imagem consagrada por Pedro Américo do grito do Ipiranga não deve mais ocupar o foco de nossas análises. Para trabalhar o tema é necessário perceber-se o contexto histórico, o complexo sistema de interesses envolvidos e como o processo realmente se desenvolveu.

O contexto histórico nos mostra uma época de apoio à liberdade, aliás, no Brasil estávamos atrasados nesse sentido. Os demais países sul-americanos já haviam obtido sua emancipação. No século anterior se desenvolveu o Iluminismo, a Independência dos Estados Unidos e a Revolução Francesa, grandes marcos da luta pela liberdade. Ainda ocorreu a Revolução Liberal do Porto, em Portugal, que exigiu o retorno de D. João e também espalhou ideais de liberdade no Brasil. Assim os tempos eram propícios às lutas pela liberdade. A própria Inglaterra, grande potência da época interessava-se pela separação do Brasil de Portugal. Dessa forma a penetração de seus produtos no Brasil se faria sem passar pelas negociações com Portugal. Nesse sentido deve ser lembrado que a própria Inglaterra financiou a indenização paga a Portugal: dois milhões de libras esterlinas (quanta independência!). Portugal, contraditoriamente, contribuiu para o processo de independência, pois ao tentar recolonizar o Brasil, retirar tribunais do país, ordenar o retorno de D. Pedro e retirar dele os títulos que permitiam o governo do Brasil, potencializou os descontentamentos e precipitou algo que já era inevitável.

Também deve ser considerado que o fato não foi apenas méritos de Pedro I, mas envolveu um grupo muito maior. Dos ingleses já falamos. Também devemos falar da maçonaria, dos comerciantes brasileiros, da elite da corte, dos chamados homens-bons (proprietários de terras), do Senado, dos advogados, dos burocratas e de pequenos jornais que discutiam a emancipação política e circulavam principalmente no Rio de Janeiro. O próprio povo brasileiro, ausente do processo em si, já se manifestava contrário aos portugueses, comerciantes e agiotas que exploravam a população pobre. Havia assim, um conflito social entre brasileiros e portugueses residentes no Brasil.

Por outro lado, indivíduos como os irmãos Andradas, Joaquim Gonçalves Ledo, coronel Luiz Pereira Nóbrega entre outros, também tiveram intensa participação.

É importante também levar em consideração que o Brasil já alcançava certo desenvolvido econômico. Em período anterior havia se desenvolvido a economia mineradora no interior e mais recentemente, com a vinda da família real e a elevação do Brasil a Reino Unido, a economia havia se fortalecido. Esse progresso econômico incitava interesses comerciais e financeiros locais que se opunham à recolonização da antiga colônia.

Posturas como essa, de analisar com maior profundidade os acontecimentos históricos, procurando sempre a compreensão dos fenômenos é que dão sentido ao estudo dessa disciplina. Assim, esperamos que ao compreender esses temas, o aluno tenha condições de refletir sobre a sua vida e a sua sociedade, agindo como cidadão. A postura crítica quanto à produção do conhecimento histórico é sempre necessária. O aluno deve saber que a história é escrita e construída em função de valores e de interesses diversos. Essa construção histórica deve ser sempre analisada e relativizada. Por exemplo, no tema em estudo, pode-se questionar a célebre frase: “Independência ou morte!”. Documentos dão conta de que ela não existiu, que D. Pedro montava um jumento e que estava doente naquele dia.

O estudo da Independência deve levar à reflexão sobre a nossa real independência. Será que ela ocorreu? Em que medida? E a questão do petróleo do pré-sal citada no começo do texto, pode nos dar independência? Como tem sido a nossa cidadania? Como ser realmente patriota hoje?

São discussões que em minha opinião não podem faltar. Elas são essenciais para que possamos fazer cada um de nossos dias “um novo dia da Independência”.

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