Psicóloga explica o que é o bullying
| Por Olivandro Maia
Getty Images (Imagem: Getty Images)
As principais vítimas são crianças em torno dos 11 anos e com alguma característica física marcante como obesidade e baixa autoestima. Em geral são meninos e meninas tímidos, com poucos amigos, e que tem dificuldade em reagir contra as agressões e um forte sentimento de insegurança que os impedem de pedirem ajuda.
Ainda de acordo com a pesquisa do Centro Multidisciplinar de Estudos e Orientação sobre Bullying Escolar o agressor costuma a ter entre 13 e 14 anos, e cerca de 60% deles são meninos.
No mês de março deste ano o G1, site de notícias da globo.com citou numa de suas reportagens o método adotado pelas escolas adventistas para conter a violência dentro das escolas. Enquanto a rede pública de São Paulo adotou um pacote de segurança que inclui câmeras de vigilância e intensificação da ronda escolar, as escolas da Rede Adventista desenvolvem o método de conscientização contra violência, trabalhando qualidades que envolvem princípios de vida. Buscando focar a causa da violência e não o efeito.
Para falar mais sobre a violência escolar e principalmente o bullying, convidamos a psicóloga Ângela Guedes, que é professora no Instituto Adventista Paranaense - IAP.
Professora o que é o bullying?
A palavra está no gerúndio, é uma palavra de origem inglesa. A tradução poderia ser valentão, de bully, mas como é bullying no gerúndio a gente poderia traduzir ao pé da letra como “avalentando”, mas para não ferir os ouvidos zelosos pelo bom português vamos deixar a tradução de lado e vamos pensar como esse bullying pode ser simbolizado. Colocar apelidos, ofender, gozar, encarnar, humilhar, enfim, a gente acha que bullying está ligado a aspectos físicos desse indivíduo, mas não necessariamente uma violência física, as vezes a violência é psíquica, vai acabar humilhando ele, botar um apelidinho que ele detesta, que ele vai ficar com aquele apelidinho na escola o tempo todo e ai ele acaba ficando chateado. Isso é motivo de ser humilhado de ser constrangido. Isso de chama bullying.
Então a agressão não é somente pela parte física?
Não necessariamente. É importante ressaltar que é uma agressão repetitiva intencional sem motivação evidente. O que acaba acontecendo: o individuo tem um tênis que não é da marca famosa, aí ele acaba sendo humilhado pelo tênis, pela camisa, ou é humilhado porque ele veio de outro país, e que tem um sotaque diferente, ou porque veio de um outro estado e puxa um sotaque diferenciado e acaba sendo humilhado por causa disso.
Onde preferencialmente acontece o bullying?
O bullying pode até acontecer nas empresas e é chamado de work place bullying (assédio moral no trabalho), pode acontecer em comunidades de vizinhos, em repúblicas de estudantes, mas principalmente acontece nas escolas.
Até que ponto é a violência e até que ponto começa a ser o bullying?
A violência acontece de maneira impulsiva, e o bullying é repetido intencional, ele tem objetivo de humilhar. Hoje em dia a gente vive num mundo globalizado onde o igual é valorizado e o diferente é excluído. Então na medida em que aquele individuo tem alguma diferença seja ela física, de vestimenta ou linguagem, ele acaba sofrendo essa humilhação. Não é num determinado momento que a pessoa sofreu um ato de violência, o ato será constante, repetitivo e isso que é o pior do bullying, porque isso acaba acarretando problemas psicológicos muito sérios.
De que maneira os estudantes se envolvem com o bullying?
Podem se envolver de quatro maneiras: eles podem ser autores de bullying que é aqueles que praticam bullying; eles podem ser alvos, são aqueles que sofrem o bullying; eles podem ser autores alvos. Normalmente um alvo de bullying é uma pessoa mais passiva, pacata, que acaba não tendo uma questão de liderança no relacionamento dele entre amigos. Então ele é normalmente um alvo, mas se ele muda de contexto e ele consegue nessa mudança de contexto ser um pouco mais ativo na relação de amigos, ele pode se tornar um autor. Também podem ter as testemunhas que são aqueles que não praticam e nem sofrem, mas que estão ali convivendo naquele ambiente e não denunciam até porque se eles denunciarem eles podem ser alvo de bullying então eles ficam aliviados, porque não é com ele o bullying.
Professora o bullying ajuda a criança a desenvolver algum comportamento psicótico?
Acredito que a psicose tem haver com uma estrutura clínica, você tem ou não tem dependendo do romance familiar. Creio sim que pode desencadear uma psicose para aqueles que têm uma pré-disposição a isso.
O que é esse romance familiar?
Tem haver com a relação filho pai e mãe, então assim: a estrutura clinica dessa pessoa está lá de alguma maneira definida e vai ser desencadeada ao longo da vida dela. Então é claro que o bullying se a pessoa tem uma estrutura psicótica é claro que o bullying pode aumentar a possibilidade de isso ser desenvolvido. Por quê? Porque a questão da humilhação, a questão de você ficar ali o tempo todo sofrendo esse tipo de humilhação você acaba ficando com depressão, você acaba fazendo risco de suicídio, inclusive tem alguns casos nos EUA já constatados de crianças que sofreram bullying quando eram crianças e quando cresceram se tornaram adultos acabaram se suicidando por causa disso. Então assim: a psicose não necessariamente está ligada ao suicídio e a depressão, mas eu destaco esses dois aspectos além da psicose porque são importantes serem levados em consideração.
E para os autores de bullying, como os pais podem agir pra ajudar essa criança ou adolescente a mudar esse modo de vida?
A maioria dos pais não tem a menor idéia de que o filho dele, aquela jóia preciosa que ele tem em casa é autor de bullying. A única maneira dos pais saberem que o filho é autor de bullying é o olhar da escola mais voltado para esse indivíduo. Em vez de ficar voltado para as questões do ensino aprendizagem que são importantes, a escola também tem que ser voltada para o sujeito. Os sujeitos alunos que estão lá na escola. Então se eles percebem as relações como acontecem, certamente eles vão perceber quem são os autores de bullying, quem são os alvos de bullying e ai falar com esses pais. Falaram com os pais e agora o que vão fazer com esse meu filho que é autor de bullying? Primeira questão já que tem haver com preconceito, tentar humanizar mais esse individuo esse adolescente, essa criança, desfazer preconceito, possibilitar que ele tenha empatia com o próximo, porque essa é a única maneira que ele tem de poder olhar para o outro não como alguém que ele vai humilhar, mas sim como alguém que é um ser humano como ele.
Quais são os indicadores de estar sendo alvo de bullying?
Angústia, isolamento social, baixa autoestima, não querer ir para a escola, queda no rendimento escolar, abuso de drogas e álcool. A criança acaba não sabendo mais como se comportar porque tudo o que ela faz é humilhada, recebe apelido, apanha, então ela não sabe o que fazer, ela se retraí, mas ela também pode se tornar agressiva e pode também reproduzir o bullying sofrido em outras circunstâncias que possibilitem a inversão de papéis como eu falei. Acredita-se que essa criança quando crescer pode virar um agressor, inclusive no seu âmbito familiar.
Como os pais, professores e diretores podem trabalhar para evitar esse comportamento com os estudantes, tanto para as vítimas quanto para os agressores?
É preciso trabalhar intensamente a questão do preconceito social, tem que trabalhar em relação as diferenças e também tem que trabalhar que cada um tem sua subjetividade, então montar equipes de trabalho, equipes de atividades coordenadas por pessoas que tem habilidade na linguagem dessa criança, na linguagem desse adolescente, desse jovem adulto e que possam ajudar para que eles desenvolvam essa sensibilidade na identificação de papéis de cada um. Cada um tem a sua capacidade, cada um tem dentro do seu jeito de ser possibilidade de contribuir com um determinado trabalho, com uma determinada atividade, ai sim você pode propiciar o respeito, a humanização e também a ausência do preconceito pela diferença.
alberto
#1muito legal achei d + :)
cleide de cásia mota
#2hoje ja tenho 30 anos mas tambem ja sofri o bullying pelo fato da obesidade ,hoje tenho uma filha de 6 anos e sempre estou de olho para que ela ñ sofra o mesmo que eu sofri
cleide de cássia mota
#3olá conheço a igreja adventista á alguns anos atrás ja frequentei algumas vezes , minha sobrinha ja estudou na escola adventista à uns 15 anos atrás ela era diferente de todos os meus outros sobrinhos digo assim na educação sócio familiar e escolar mas por situação financeira infelizmente meu irmão teve que tira-la da escola nós todos sentimos muito . hoje ja tenho uma filha de 6 anos que está na 1 série não coloquei ela na escola adventista por situação financeira tambem, mas é meu sonho, pois sei que la ela teria um ensino que realmente seria compátivel com ela pois graças a deus é muito inteligente , mas quem sabe um dia deus me da a benção de conseguir realizar meu sonho abraços .
Camila
#4sendo que eu já sofri o bullying, eu sei como é ruim se sentir humilhado, excluído e discriminado, espero que logo este problema seja resolvido.
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