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Marcos Pontes, o astronauta brasileiro

| Por Olivandro Maia

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MCP (Imagem: MCP)

Neste ano em que a humanidade comemora 40 anos da conquista da Lua, o Portal da Educação Adventista teve a oportunidade de entrevistar o cosmonauta Marcos Cesar Pontes. Na sua passagem por Maringá, no dia 29 de julho, para ministrar uma palestra a políticos e empresários, o primeiro brasileiro a ir numa missão no espaço relatou a sua experiência que ficou registrada na história.

De origem humilde, Pontes nasceu em Bauru, SP em 11 de março de 1963. Sua história de vida é fonte de inspiração para os jovens, pois mostra que nada é fruto do acaso e sim do esforço, estudo e determinação. Marcos começou a trabalhar ainda cedo, aos 14 anos para ajudar no orçamento de casa e para pagar os estudos. Ele trabalhava como eletricista aprendiz na Rede Ferroviária Federal, embora seu maior sonho fosse ser piloto de avião. Todos os seus colegas de trabalho na época diziam que isso era impossível, mas ele decididamente escolheu o conselho de sua mãe que dizia: “Se você tem um sonho vá em frente, lute por ele, estude bastante”, e foi isso que Marcos fez.

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MCP (Imagem: MCP)

Em 1981 ingressou na Academia da Força Aérea, AFA, onde se formou oficial aviador. Após a AFA, especializou-se em aviação de caça, tornando-se instrutor, líder de esquadrilha, controlador aéreo avançado e piloto de testes de aeronaves. Já casado e com dois filhos, o piloto de avião não se conformou com sua estabilidade, pois seu sonho era ir além, por isso ele ingressou no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), após o longo período de curso obteve o título de Engenheiro Aeronáutico. Pontes também é Mestre em Engenharia de Sistemas na US Naval Postgraduate School, em Monterey, Califórnia. Hoje em dia, suas pesquisas são relacionadas à fisiologia aeroespacial, comportamento e segurança operacional.

Em junho de 1998 deixou de exercer as funções específicas de militar da ativa em razão de ter sido designado, após uma criteriosa seleção por concurso de âmbito nacional, para servir o Brasil na função civil de astronauta, passando a integrar a turma de astronautas da NASA. Em dezembro de 2000, Pontes foi declarado astronauta pela NASA, tornando-se oficialmente o primeiro astronauta profissional brasileiro. Nos anos seguintes permaneceu em treinamento em Houston, na função civil de astronauta.

A data histórica em que o Brasil começou a participar da exploração espacial foi no dia 29 de março de 2006. A bordo da espaçonave russa Soyuz TMA-8, o astronauta Marcos Pontes levou a bandeira brasileira e o chapéu de Santos Dumont como símbolo do centenário da aviação. Durante sua permanência na Estação Espacial Internacional - ISS, o cosmonauta realizou oito experimentos científicos. No dia 9 de abril de 2006, depois de 10 dias no espaço, sendo oito deles a bordo da Estação Espacial Internacional,  a espaçonave Soyuz, regressou à Terra, pousando no deserto do Cazaquistão.

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Portal (Imagem: Portal)

Na sua passagem por Maringá para apresentar a palestra “Do sonho à realidade, uma missão possível para as novas gerações”, Marcos falou sobre a importância do envolvimento da sociedade para o crescimento e difusão da ciência e tecnologia entre as crianças e jovens por meio da realização de torneios de robótica. Ele contou também sobre sua trajetória de vida e como a educação exerceu papel fundamental durante esse processo.

Acompanhe a seguir a entrevista concedida com exclusividade ao Portal no gabinete do prefeito de Maringá, minutos antes de Marcos Pontes apresentar a palestra ao público.

O que o senhor sentiu ao poder representar o país numa missão espacial?
É uma satisfação muito grande carregar a bandeira de um país e sentir que esse país está com você nesse momento em que coloca sua vida literalmente a serviço dele. É uma responsabilidade enorme. Essa representação significa que quando faço alguma coisa lá é o Brasil que está fazendo, por isso eu faço bem feito. Se eu faço algo mal feito, será o Brasil que estará fazendo algo mal feito.

O homem dominou o mundo afora e também o espaço. Descobriu que é um gigante na ciência, mas até hoje não conseguiu dominar a si mesmo. Você como astronauta, o que tem a dizer sobre isso?
Conhecimento é diferente de sabedoria. Você sabe muita coisa, você domina o conhecimento, mas a sabedoria é algo que vem com o tempo, com experiências. As experiências, de certa forma contraditórias, são adquiridas no contato com as pessoas. Às vezes a pessoa se concentra tanto em adquirir o conhecimento que ela se isola do mundo e por causa desse conhecimento acaba deixando de lado a sabedoria.

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Portal (Imagem: Portal)

A USP está montando um curso de Engenharia Aeroespacial. No futuro o país terá mais astronautas brasileiros?

O curso visa a formação de engenheiros para o programa espacial. A gente tem o curso de Engenharia Aeronáutica, com 40 alunos por ano, mas o curso de Aeroespacial tratará das áreas críticas dessa área; como propulsão líquida, etc. A princípio será a formação de engenheiros e cientistas que trabalhem nessa área, logicamente que dentro dessas áreas haverá candidatos a astronautas.

Em sua opinião qual a importância do uso de tecnologias no ensino nas escolas?
A ciência e a tecnologia funcionam em vários aspectos ligados a educação. Um dos aspectos é facilitar a transmissão de informações, com isso pode se pensar na formação de professores e na transmissão dessas informações para os alunos. Contudo para acompanhar isso é necessária uma metodologia que seja adequada ao uso dessa tecnologia. Não adianta nada, por exemplo, você fazer uma tabuada no quadro de giz e a mesma no retroprojetor. Então há uma necessidade da aplicação de uma metodologia de ensino para se adequar à parte de ciência e tecnologia. Outro aspecto da ciência e tecnologia dentro da educação, é o uso para que os próprios alunos se sintam interessados em procurar os aspectos voltados para a solução de um problema. Quando você usa um robô, você usa robótica dentro da educação, os alunos ficam fascinados com a robótica, mas resolver os problemas que são colocados utilizando a robótica como ferramenta há a necessidade de relacionar com física, matemática, com vários aspectos voltados para resolver o problema. Além disso, você tem a parte pessoal: a liderança, o trabalho em equipe, o desenvolvimento de competências, habilidades sempre acompanham esse tipo de desenvolvimento. Ainda outro aspecto, nós temos escolas em períodos simples em muitos lugares no Brasil. O ideal seria, especialmente nas zonas de risco, ou seja, onde as crianças estão mais susceptíveis a traficantes e violência, o ideal é que essa criança fique grande parte do tempo em local protegido. Para isso precisaria de algo dentro da escola no contraturno para que seja mais interessante do que a deixar na rua. Então a utilização de robótica, astronomia, aeronáutica e aeromodelos, chamam mais a atenção das crianças para ficarem na escola.

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Portal (Imagem: Portal)

Você teve a oportunidade de conhecer Neil Armstrong e Buzz Aldrin, os dois primeiros homens que pisaram na Lua. O que eles falaram ao senhor?

O Neil Armstrong foi duas vezes ao Johnson e deu duas palestras. Eu conversei apenas alguns minutos com ele. Ele é um cara bastante sério. O Buzz Aldrin me encontrei com ele em Houston, e ele disse que queria vir ao Brasil para mergulhar em Fernando de Noronha. Uma pessoa bem espirituosa, conversador.

O que foi mais emocionante: a partida, ou o retorno da Missão Centenário?
As duas coisas. A decolagem é precedida de toda uma adaptação e uma expectativa que eu diria que você fica num estado como se estivesse fora do corpo. Antes da decolagem, no momento em que você está naquela cápsula e respira, você sente uma sensação muito boa. Você está num lugar que você conhece mesmo. A gente passou muito tempo sentado dentro daquela cápsula, mas o desenvolvimento da subida é bem rápido. É uma sensação interessante você ver acontecendo aquilo. O retorno é uma parte bem perigosa, bastante arriscada porque você fica completamente a mercê do sistema por alguns minutos. É uma sensação estranha no começo.

Como a educação exerceu um papel fundamental na sua trajetória de vida?
As pessoas me chamam de meio obcecado por educação, mas eu vejo a educação como a solução de todos os problemas que a gente tem em qualquer país, ou no mundo de uma maneira geral. Existem vários problemas, mas a educação acaba com isso aí. Havendo educação homogênea e disponível às crianças você consegue lidar com todos os assuntos de maneira mais prática.

2 Comentários

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Tamires

#1

Adorei Ajudou muito no trabalho de ciencias do colégio AdventistA

Miriam

#2

MarcosPontes é um grande astronauta, e sua entrevista ao portal foi sem duvida muito proveitosa. Parabéns ao Portal de Educação.

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