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Função do relatório psicopedagógico

| Por Charlotte Fermum Lessa

(Imagem: Maksym Yemelyanov/Fotolia)

Recebemos crianças para atendimento psicopedagógico que trazem, da escola, um pedido de um relatório detalhado, culminando com um diagnóstico e recomendações para o trabalho a ser realizado. Nada mais justo. Entretanto, é importante que a escola saiba o que fazer com todas as informações.

Certamente um diagnóstico não é dado para rotular uma criança e limitar seu potencial. Ela apresenta dificuldades; dá mais trabalho que as outras; o professor não sabe o que fazer com ela; não sabe o que está acontecendo; e muitas vezes, a única coisa que realmente importa, é saber o que ela tem. Pura curiosidade. É uma pena quando isso acontece. E, acredite, acontece!  

QUESTIONAMENTOS IMPORTANTES

Então, qual a função do relatório psicopedagógico na escola? Em primeiro lugar, ele tem que ser encarado como uma ferramenta prática. O professor, em conjunto com a coordenação pedagógica, deve responder algumas perguntas:

1. Quais são as informações contidas no relatório psicopedagógico que podem ajudar no trabalho pedagógico? Por quê?
2. O Relatório traz informações novas que não foram percebidas no dia-a-dia? Quais?
3. Quais as informações que se harmonizam com as características observadas no aluno?
4. Quais as que não se harmonizam?
5. Quando foram colhidas as informações do relatório? Está atualizado? (A criança passa por fases dentro de um processo de desenvolvimento dinâmico e evolutivo do ser humano, e cada vez que é avaliada pode trazer aspectos novos e diferentes.)
6. Como será efetuado o planejamento para a criança? Com quem a escola poderá contar para desenvolver esse planejamento?

ESCOLA, PSICOPEDAGOGO, TERAPEUTAS E FAMÍLIA

 
A intenção básica do relatório psicopedagógico é fundamentar o trabalho, não da escola, ou do psicopedagogo, ou da família, ou dos encaminhamentos, mas de uma equipe coesa e colaborativa, como no diagrama:

(Imagem: Paula Lobo)



Todos trabalhando juntos num processo interdisciplinar (um dando suporte ao outro) a fim de que o programa estabelecido pela equipe promova o desenvolvimento harmônico da criança em questão. A humildade e a vontade de aprender são essenciais para um bom educador. Ele nunca deve se envergonhar de dizer: “Não sei o que fazer. Você pode me ajudar?” É nisto que consiste a interdisciplinaridade.

A ORDEM DA DEVOLUTIVA

1. A criança – Dependendo da idade da criança e de sua capacidade cognitiva, ela será a primeira a ser chamada para a devolutiva.
2. A família – O psicopedagogo (e a escola também) tem na família sua maior aliada. Assim sendo, será esta a entidade seguinte a ser convocada.
3. A escola – A escola deverá entrar em contato com o psicopedagogo assim que ela esteja com o documento (o relatório) em mãos. Assim, ambos poderão marcar uma devolutiva para estabelecer os parâmetros do trabalho conjunto e tirar as dúvidas do professor. Sempre que a escola sentir que precisa de ajuda, o psicopedagogo deverá estar à disposição para as necessárias elucidações.
4. Os terapeutas – Quando chegar o momento, os terapeutas deverão contatar o psicopedagogo para os esclarecimentos de que precisarem.

Charlotte Fermum Lessa - Natural de Bremen, Alemanha, formada em Pedagogia, pós-graduada em Psicopedagogia, especialista em PEI – Programa de Enriquecimento Instrumental níveis I e II de Reuven Feuerstein. Presidente e fundadora do Instituto de Desenvolvimento Humano Kathia Lessa. Além de tradutora e intérprete, Charlotte é também escritora, com oito obras publicadas pela Casa Publicadora Brasileira, na área infantojuvenil, entre elas: Deus me Fez Assim, Deus Fez Meus Sentidos, Um Amigo pra Jesus, Deus Ama os que São Diferentes, Sou Down e Sou Feliz e O Mundo Maravilhoso da Bíblia Para Crianças.

2 Comentários

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livya de carvalho

#1

isso é otimo e muito importante

Lilian Larroca

#2

Excelente artigo, com considerações importantíssimas. Uma ótima pauta para reuniões pedagógicas.

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