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Criança com epilepsia parcial e dislalia

| Por Charlotte Fermum Lessa

(Imagem: TAlex/Fotolia)

“Prezada Charlotte, tenho uma criança com 5 anos que tem dificuldade de fala. Pelo que li em seu artigo ela é portadora de dislalia. Ela tem epilepsia parcial devido ao parto. Gostaria de saber se é possível que ela se expresse normalmente e se o único tratamento é com fonoaudiólogo. Obrigada.”
(C.)

Querida C.:

Sendo que não conheço a história do desenvolvimento de sua criança, não posso responder conclusivamente suas perguntas. Sua criança não é portadora. Ela tem dislalia. Isto não é uma síndrome, nem uma doença. O que posso fazer por você no momento é retornar em forma de perguntas que a farão refletir e chegar às suas próprias conclusões.

PERI E PÓS NATAL (hora do nascimento e depois do nascimento)

1. Quanto tempo você ficou em trabalho de parto?
2. Quais foram os problemas na hora do parto?
3. Qual foi a nota de Apgar do bebê no 1º minuto e no 5º minuto? (Você encontra esta informação no documento que recebeu ao sair do hospital com todas as informações do parto e da criança, e com as impressões digitais do pezinho dela). Esta nota classifica os reflexos da criança ao nascer, inclusive sua respiração. Caso ela tenha sofrido uma hipóxia (baixa oxigenação do cérebro) seu Apgar pode ter sido baixo. Se a nota do primeiro minuto foi de 05 para baixo a criança precisará de acompanhamento, não só fonoaudiológico, mas também psicopedagógico e psicológico, a fim de que os profissionais dessa área avaliem os prejuízos cognitivos causados pela hipóxia, e indiquem o tratamento adequado.
4. A criança teve icterícia? Se sim, foi devidamente tratada ainda no hospital?
5. Ela fez o exame do pezinho?
6. Ela mamou direitinho no peito assim que foi levada para você no quarto do hospital?

DESENVOLVIMENTO MOTOR DA CRIANÇA

1. Com quanto tempo de nascida ela começou a rolar no berço?
2. Hoje ela rola sozinha?
3. Ela rola para os dois lados?
4. Com quanto tempo de nascida ela começou a rastejar?
5. Hoje ela rasteja sozinha?
6. Com quanto tempo de nascida ela começou engatinhar?
7. Com que idade sentou sozinha, sem apoio?
8. Com que idade começou a andar?
9. Hoje, ela é ágil para:
  a. Andar de bicicleta?
  b. Subir e descer escada sozinha?
  c. Subir e descer rampas sozinha?
  d. Correr?
  e. Em que outras atividades ela tem boa agilidade?
10. Nas habilidades manuais:
  a. Ela tem boa garra? (pegar as coisas com as mãos inteiras)
  b. Tem bom movimento de pinça? (pegar objetos pequenos com indicadores e polegares)
  c. Tem força para puxar?
  d. Tem força para apertar?
11. Na linguagem:
  a. A criança balbuciou quando bebê?
  b. Com que idade ela pronunciou as primeiras palavras?
12. Na audição
  a. Ela sofre de alguma alteração auditiva?
  b. Se não, como você sabe? (As alterações auditivas podem ser apenas parciais.)

Caso algumas das suas respostas lhe tragam certa preocupação, leve-a a um neuropediatra antes de a um fonoaudiólogo. Ele fará algumas das mesmas perguntas que estão aqui e fará outras mais específicas. Conforme o resultado de seu exame clínico ele fará o devido encaminhamento.  Não receie o resultado. A criança é prioridade. Aja o mais depressa possível. Não deixe para depois. Quanto mais depressa suas dúvidas forem respondidas melhor será para a criança. Espero que esteja tudo bem e que a dislalia dela seja resolvida rapidamente.

Um forte abraço,
Charlotte

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