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Convulsão e epilepsia em sala de aula

| Por Charlotte Fermum Lessa

(Imagem: Shutterstock)

Olá, professor!

Gostaria de aproveitar este espaço para agradecer os carinhosos comentários dos leitores e as oportunas sugestões. Saber que nosso trabalho está orientando e alertando pessoas interessadas no bom andamento do ensino inclusivo faz valer a pena qualquer esforço! Obrigada, amigos!!

E por falar em inclusão, temos hoje, como professores, muito mais chances de nos deparar com casos de crises convulsivas ou epilépticas durante o período escolar. Pensando nessa possibilidade, pesquisei sobre o assunto e decidi escrever algo que pudesse elucidar esse tema e, ao mesmo tempo, apresentar as formas mais adequadas de lidar com uma situação dessas. Então, lá vai!

Diferença entre convulsão e epilepsia

Convulsão não é doença. É uma manifestação clínica aguda em decorrência de alguma causa conhecida (infecciosa, traumática, tóxica, distúrbio metabólico, tumores cerebrais).

Epilepsia, por sua vez, é uma doença que necessita tratamento específico contínuo com medicamentos, por longos períodos (anos).

Características da convulsão

A convulsão apresenta duas características distintas. A primeira, denominada crise tônica, consiste numa rigidez muscular persistente e prolongada; a segunda, chamada de crise clônica, consiste de movimentos ininterruptos de qualquer segmento muscular. Uma terceira característica é a manifestação conjunta, chamando-se por isso crise tônico-clônica.

Características da epilepsia

A epilepsia pode se manifestar de forma generalizada – com crises de ausência (desligamento súbito), movimentos mioclônicos (movimentos rápidos dos músculos) e crises atônicas, clônicas, tônicas, ou tônico-clônicas – ou de forma parcial. Esta pode ser simples (sem comprometimento da consciência) ou complexa (acompanhada de alteração da consciência). Associada a esses movimentos anormais, poderá haver alteração ou perda temporária da consciência.

As crises epilépticas podem ser generalizadas, quando comprometem todos os segmentos do corpo; ou localizadas ou focais, quando acometem parte do corpo, como: face, olhos, língua, pescoço, membro superior, membro inferior ou hemicorpo (um dos lados do corpo).

O que acontece com o cérebro durante uma crise de epilepsia

A epilepsia é uma disfunção cerebral recorrente (que se repete) e se dá a partir de uma descarga eletroquímica súbita, breve e anormal num grupo de neurônios. Essa descarga pode ser determinada por alterações anatômicas (lesões) ou funcionais. A epilepsia não costuma estar relacionada a eventos toxicometabólicos ou febris.

Neurônios fazendo sinapse

Neurônios fazendo sinapse (Imagem: Shutterstock)

Frequência da epilepsia

A epilepsia atinge cerca de 1% a 5% da população geral. É mais frequente no sexo masculino e na infância.

Segundo estatísticas do Hospital Albert Einstein, 1,2% dos pacientes atendidos no ambulatório de neurologia infantil tem epilepsia. Do total de pacientes do hospital com alguma afecção neurológica, 35% têm epilepsia.

Causas da epilepsia

  • Processos inflamatórios ou infecciosos intracranianos
  • Malformações cerebrais
  • Contusões cerebrais
  • Hemorragias e isquemias cerebrais
  • Tumores do sistema nervoso central

Epilepsia e transtornos mentais

Conforme relatos em estudos populacionais, a incidência de transtornos mentais em pacientes epiléticos está na faixa dos 30%. É bom lembrar que existem casos de pacientes epilépticos que têm deficiência mental devido a certas encefalopatias crônicas.
 
Para que servem os medicamentos anticonvulsivos

  • Controlar as crises epilépticas, procurando-se manter o paciente livre delas.
  • Auxiliar na volta do paciente às suas atividades normais, como escola, trabalho, lazer, esporte e convívio familiar.
  • Recomenda-se o uso de medicamentos com o menor número possível de efeitos colaterais.

Como agir diante de uma vítima de crise epiléptica  

É comum ficar assustado diante de alguém que esteja convulsionando com uma crise epiléptica, pois é algo diferente e amedrontador. Listamos a seguir o melhor procedimento de primeiros socorros, conforme apresentado no site Tua Saúde.

"Quando alguém apresenta sintomas de epilepsia, o mais importante nos primeiros socorros é permitir que o indivíduo fique o mais confortável possível e não se machuque ao se contorcer durante as convulsões. Por isso:
  • "Coloca-se a vítima de lado, na posição de segurança [deitada de lado sobre o ombro], para respirar melhor e não sufocar caso vomite;
  • "Coloca-se um apoio embaixo da cabeça [travesseiro, casaco dobrado…] para prevenir que o indivíduo bata a cabeça no chão e cause algum traumatismo;
  • "Deixe que os membros se contraiam. Não se deve segurar os membros, isso evita roturas musculares ou mesmo ósseas.

"As crises em média duram entre 2 e 3 minutos, mas caso durem mais do que este tempo ou se repitam a seguir, é necessário ligar para o 192, para ser encaminhado ao hospital e se fazerem exames.

"De forma geral, um epilético que conhece a sua doença possui um cartão informando a sua condição com dados sobre o medicamento que toma, o telefone do médico ou familiar que deve ser chamado e até mesmo o que fazer em caso de crise convulsiva.

"Após uma crise de epilepsia, é normal que a pessoa demore de 10 a 20 minutos num estado de apatia como se estivesse  adormecida. Nem sempre o indivíduo tem consciência do que aconteceu, por isso dispersar as pessoas para permitir a circulação de ar e a recuperação do epilético sem constrangimentos é importante." (O QUE FAZER..., 2011)

Epilepsia e aprendizagem

É comum pensar que alguém que sofre de epilepsia tenha dificuldades de aprendizagem ou mesmo deficiência intelectual (DI). A DI pode ser acompanhada de epilepsia em virtude de complicações neurológicas. A epilepsia não é a causa primária da DI, como afirmam os pesquisadores da área. No artigo "O estigma começa na infância", indicado a seguir, você pode encontrar mais informações sobre este assunto.

Existem medicamentos que trazem efeitos colaterais que podem afetar a atenção, o comportamento e a memória. Os pais devem buscar medicações com o mínimo possível de efeitos colaterais, conforme mencionado anteriormente.

Outro problema que a epilepsia pode causar na criança é a insegurança por medo de ser ridicularizada perante os amiguinhos. A vergonha é um fator que pode contribuir para que ela apresente dificuldades de aprendizagem. São, portanto, sintomas de ordem emocional, não fisiológica. O professor, a família e os amigos podem ajudar nesse caso. Um profissional habilitado também pode ajudar, e muito, a criança em questão a se aceitar como é e aprender a conviver com o problema.

Endereços que valem a pena ser visitados

Epilepsia – Blog Científico
epilepsia.pt
Harvard Medical School – Portugal Program
"O estigma começa na infância" – CInAPCe
"Qualidade de vida na epilepsia infantil" – Scielo Brazil

Referências bibliográficas

O QUE fazer na crise de epilepsia. In: TUA saúde. abr. 2011. Disponível em: <http://www.tuasaude.com/o-que-fazer-na-crise-de-epilepsia/ >. Acesso em: 15 jun. 2011.
TOPCZEWSKI, Abram. Convulsões na infância e adolescência: como lidar? São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003.


1 Comentários

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jairo

#1

Parabens,pelo artigo pois desde a infância tive dificuldades com a epilepsia, sei o que crianças com este distúrbio sentem, e digo que somente com o amor dos pais, auxilio dos professores e alunos, é possível ter uma vida normal, seguindo corretamente as orienteções médicas, em alguns casos os sintomas em pouco tempo desaparecem. Não se "pega" epilepsia em contato com a saliva do epilético em crise. É melhor tomar os medicamentos corretamente a ter que sofrer crises.

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