O que é discalculia?
| Por Charlotte Fermum Lessa
(Imagem: Shutterstock)
Existem muitas razões para uma criança (ou mesmo adulto) apresentar dificuldades na matemática. Algumas delas são essencialmente sociais:
Falta de vínculo com o professor;
Professor que não consegue formas diferentes de explicar algo que o aluno não consegue entender da primeira ou segunda vez;
Cultura escolar ou familiar que coloca sobre o pensamento lógico matemático um peso acima do real, rotulando a criança de “burra”, “preguiçosa” ou “avoada”, quando não responde como “deveria” ao que se espera dela nessa área.
Lembro-me bem (como poderia esquecer?) de um incidente que aconteceu comigo na infância que gostaria de partilhar com você a título de reflexão e esclarecimento.
Meu pai resolveu “ajudar” minha professora do 3º ano primário a me ensinar fração. Chamou-me à mesa da cozinha e começou:
– Lotti (meu apelido na infância), está vendo esta maçã?
– Sim.
– Vou cortá-la assim, ó. – Cortou-a ao meio e continuou:
– Agora eu tenho dois pedaços. Como se chama este pedaço (mostrou-me uma metade)?
– Metade – respondi, com medo do que viria depois.
– Isto! Agora eu pego as duas metades e corto no meio de novo. – Pegou um quarto da maçã, estendeu-a na minha direção e perguntou:
– E como se chama este pedaço?
– Não sei. – Soltando um suspiro perguntou:
– Filha, quantos pedaços tínhamos no começo?
– Dois – respondi.
– E agora, quantos temos?
– Quatro.
– Isto! E um destes quatro, como se chama?
– Não sei – respondi depois de tentar achar na memória o nome daquele pedaço de maçã. Então, o senhor Fermum começou tudo de novo. Do mesmo jeito. Minha resposta, obviamente, sempre foi a mesma, com a diferença de que no fim do “processo”as lágrimas já estavam escapando dos meus olhos. A coisa se repetiu mais algumas vezes, até que ele perdeu a paciência e, furando o caderno de um lado a outro com a ponta do lápis, num ímpeto de raiva (senti como se ele tivesse atravessado meu coração), gritou:
– Sua burra! – A esta altura minha mãe interferiu e minha malfadada “aula” foi encerrada.
Os esforços do meu ignorante, mas, bem intencionado pai, resultaram no estabelecimento de uma crença que me acompanhou por muitas décadas: “Eu sou uma burra!”
O que nenhum de nós sabia, era que eu havia sido educada e alfabetizada como destra sendo canhota, e que era portadora do Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Mas, mesmo tendo outras excelentes qualidades acadêmicas e artísticas, meus pais e minhas professoras focalizaram sua atenção na minha incapacidade para aprender matemática como “deveria”.
Depois de refletirmos em algumas das razões sociais para a cristalização das dificuldades de aprendizagem em matemática, chamo sua atenção para a explicação muito bem colocada num artigo do site www.mundoeducacao.com.br. Este artigo, cujo autor não é mencionado, afirma que “a discalculia é uma má formação neurológica que provoca transtornos na aprendizagem de tudo o que se relaciona a números, como:
- fazer operações matemáticas,
- fazer classificações,
- dificuldade em entender os conceitos matemáticos,
-
aplicação da matemática no cotidiano e na sequenciação numérica.
- dificuldade com tabuadas,
- ordens numéricas,
- dificuldades em posicionar os números em folha de papel,
- dificuldade em somar, subtrair, multiplicar e dividir,
- dificuldade em memorizar cálculos e fórmulas,
- dificuldade em distinguir os símbolos matemáticos,
- dificuldade em compreender os termos utilizados.”
O artigo ainda menciona a ligação da discalculia com a dislexia. Afirma a possibilidade de ser percebida já na fase pré-escolar, “quando a criança tende a ter dificuldades em compreender os termos já utilizados, como igual, diferente, porém somente após a introdução de símbolos e conceitos mais específicos é que o problema se acentua e, sim, já pode ser diagnosticado”.
O site www.paisefilhos.pt mostra que no estudo, liderado por Brian Butterworth, do Instituto de Neurociência Cognitiva do University College London, em conjunto com o Centro Cubano de Neurociência, descobriu que, de 1.500 crianças avaliadas, 3% a 6% mostravam sinais de discalculia, enquanto a dislexia foi verificada entre 2,5 a 4,3 por cento das crianças”.
Agora, algumas dicas para os professores de crianças discalcúlicas:
“Para melhorar o seu desempenho, o professor deve permitir que o indivíduo utilize tabuada, calculadora, cadernos quadriculados e elaborar exercícios e provas com enunciados mais claros e diretos. Ainda pode estimular o indivíduo passando trabalhos de casa com exercícios repetitivos e cumulativos”. www.mundoeducacao.com.br/doencas/discalculia.htm
Sites esclarecedores que poderão ser visitados:
www.brasilescola.com/doencas/discalculia.htm
www.psicopedagogiabrasil.com.br/disturbios.htm
Livro aconselhado:
GARCIA, Jesus Nicasio. Manual de Dificuldades de Aprendizagem – Linguagem, leitura, escrita e matemática. Artmed, 1998.
Denilda Cerqueira
#1Parabéns que maravilhoso artigo.
JoniceMartini
#2Parabéns pelo artigo, entre outros artigos esclarecedores como este, nós podemos ter a oportunidade de ajudar os pais a ficarem mais cientes de algumas dificuldades apresentadas pelas crianças, e que muitas vezes faltam informações confiáveis como as que temos no portal.
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