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O que é fobia escolar?

| Por Charlotte Fermum Lessa

(Imagem: Shutterstock)

A História de Joãozinho

Vamos chamá-lo de Joãozinho. Seu primeiro dia de aula no início do ano pareceu mais com a chegada de um bezerro ao matadouro do que com uma criança prestes a entrar para o mundo do conhecimento. Ele gritava, esperneava, agarrava-se à mãe e, por mais que o incentivassem, nada, nem ninguém, conseguiu persuadi-lo a entrar. Frustrada, a mãe o levou de volta para casa, tentando convencer-se de que, afinal, Joãozinho ainda era muito pequeno e que talvez, ela não o tivesse preparado adequadamente para o que o esperava. “Bem”, ela pensou, “talvez amanhã ele já esteja mais conformado com a ideia.”

A manhã chegou, mas a cena foi a mesma. No terceiro dia, a mesma coisa. No quarto, no quinto e no sexto dia tudo igual. Na semana seguinte, depois de muita conversa, Joãozinho acabou concordando em entrar se a mamãe ficasse com ele. Durante todo o primeiro semestre a mãe não pôde nem sair da sala para tomar água ou ir ao banheiro. No segundo semestre ele já concordou em deixar a mãe sair da sala desde que ela não se afastasse muito.  Quando a mãe insistia que ele deveria ir e ficar na escola como as outras crianças, Joãozinho passava mal à noite, tinha febre, vomitava e sentia dor de cabeça ou de barriga.

Mesmo com a presença da mãe, ele não se misturava com os colegas. Não brincava na hora do recreio, não conseguia aprender e não se interessava pelas atividades.
Quase toda segunda-feira a cama de Joãozinho amanhecia molhada de urina, e o choro era desesperador. Quando ela decidia não levá-lo a alegria voltava a reinar. Cansada, ela decidiu procurar uma psicopedagoga, que trabalhou com Joãozinho e sua mãe por mais ou menos um ano. Ele superou sua fobia, passando a se sentir seguro e a gostar da escola, dos professores e dos colegas, e a mãe, antes receosa e incerta, aprendeu a lidar com a situação e com o próprio filho que notou sua mudança percebendo-a mais segura e confiante. Este fato por si só contribuiu em pelo menos 50% para a cura de Joãozinho.

O garoto dessa história sofria de um mal a que damos o nome de Fobia Escolar, agregado à Fobia de Separação, que é um Transtorno de Ansiedade, podendo ser tratado e superado.
O que gera a Fobia Escolar?
Não se trata de um único fator determinante. Eles são variados e podem ser os seguintes:

  • Predisposição genética (casos de fobia na família)
  • Temperamento da criança
  • Ambiente familiar inseguro
  • Pais superprotetores
  • Mudança de escola
  • Professor rigoroso demais
  • Provas difíceis
  • Problemas de aprendizagem
  • Medo de apanhar de algum colega, etc.

Como pais ou reponsáveis devem lidar com a criança

  • Respeitar seu medo – não considerar a criança “maricas” ou “boba”
  • Ficar um pouco com ela antes da entrada dando-lhe a certeza de que na hora marcada estará lá para buscá-la
  • Procurar conhecer as causas do medo e buscar meios para solucionar os problemas que provocam a fobia
  • Conversar com a criança sobre seu medo, passando-lhe a segurança de que precisa – ela percebe a ansiedade e / ou a insegurança dos pais
  • Não ceder ao desejo da criança de não ir à escola
  • Não supervalorizar o medo da criança
  • Não permitir que esse medo interfira na rotina da família
  • Nos primeiros dias de aula permitir que a criança leve seu brinquedo predileto
  • Não sair da escola escondido da criança – sempre dizer que vai sair e quando vai voltar para buscá-la
  • Estar na porta da escola quando a criança estiver sainda da sala – nunca chegar atrasado
  • Caso haja algum imprevisto que provoque atraso, ligar para a escola para avisar a criança
  • Caso todas as tentativas falhem, buscar ajuda profissional: psicopedagogo, psicólogo da área cognitivo-comportamental, e, quando a fobia for muito grave, buscar ajuda de médico psiquiatra, que fará uma avaliação clínica e poderá dizer se é necessário iniciar um tratamento com medicamentos.

 Como professores e / ou direção e / ou monitores devem lidar com a criança e os pais

  • A paciência é o primeiro requisito
  • Procurar acalmar a criança assegurando-a de que a mãe ou o pai virá buscá-la na hora marcada
  • Nunca mandar a criança de volta para casa para se livrar do problema
  • Passar segurança para os pais de que a criança está bem na escola
  • Orientar os pais para que confiem nos funcionários da escola quanto ao cuidado e atenção com a criança
  • Mostrar-se realmente digno da confiança depositada neles pela criança e pelos pais.
Sites pesquisados:

http://www2.uol.com.br/vyaestelar/fobia_escolar.htm

http://boasaude.uol.com.br/lib/showdoc.cfm?libdocid=3549&fromcomm=3&commrr=src

http://odia.terra.com.br/ciencia/htm/fobia_escolar_como_vencer_o_medo_da_sala_de_aula_151510.asp

http://www.meubebezinho.com.br/seufilho050127.shtml


3 Comentários

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Márcia

#1

Já passei por este dilema com meu filho de 13 anos. Ele tem TAG (transtorno de ansiedade generalizada), é uma situação bem dificil para a criança e seus familiares. Concordo com o comentário da Marizane, realmente temos que ser firmes e fortes para enfrentar esta ardua caminhada.

Cláudia Ramona Gonçalves

#2

Eu achei muito interessante o conteúdo Fobia Escolar, pois escolhi como tema para minha monografia de Pós-Graduação "O Fracasso Escolar" . Fobia Escolar com certeza é um dos fatos que contribuem para o fracasso escolar. Por isso, como gestores e educadores temos que ter conhecimento do assunto e lidar com sabedoria para que o aluno sinta a segurança que a escola pode ofereçer.

Marizane

#3

Muito interessante o artigo. Todo começo de ano é comum o Colégio receber alunos com Fobia Escolar. Em nossa experiência temos percebido que falar a verdade para a criança de 3 anos ou 13 anos é sempre o melhor caminho. Quando os pais aceitam a orientação da Escola sobre como tratar o assunto e não se deixam levar pelo choro, a cura vem sempre mais rápida. Ter uma postura confiante, ser firme com a criança é o caminho mais rápido para acabar com o sofrimento da família.

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