Ponto de equilíbrio
| Por Humberto Marshal Mendes Giménez
(Imagem: Shutterstock/Joseilton Gomes)
O uso da internet na educação, que já não é coisa nova, mas ainda é incipiente, continua polêmico e causando desajustes. De início era apresentado como: maravilhas da internet. Através dessa ferramenta era possível uma nova abordagem educativa: interatividade, novas possibilidades, acesso mais amplo ao conhecimento, utilização de fontes diversas, recursos tecnológicos de última geração. Era o paraíso dos educadores!
Hoje parece que esse sonho desvaneceu-se. A educação continua em dificuldades mesmo tendo à sua disposição todo o arsenal tecnológico atual. Por outro lado, são frequentes os relatos de educadores dando conta de que seus alunos não sabem escrever, que não existe mais capacidade de concentração, que o espírito crítico desapareceu e que o aluno não assimila as normas da escrita padrão. Essas críticas muitas vezes são ligadas ao uso da internet.
Afinal de contas, podemos questionar, a internet é boa ou ruim para a educação?
Como em todas as coisas da vida, creio que o melhor é uma postura equilibrada. Não há como negar que a internet realmente nos dá um aporte tecnológico que pode de forma consistente ajudar na melhoria da educação. Quem sabe um dos problemas esteja no fato de que a educação ainda não soube, de forma mais significativa, utilizar essas ferramentas.
Por outro lado, também não há como negar que o uso da internet tem causado problemas que afetam a educação. Uma série de pesquisas têm surgido mostrando que a síndrome do pensamento acelerado está mais presente, que a capacidade de reflexão aprofundada tem diminuído e que a memória se mostra enfraquecida em usuários frequentes da internet.
Será que a internet nos emburrece? Ou quem sabe ela nos deixa mais inteligentes? Em certa medida as duas questões parecem estar corretas. Pesquisas mostram que novas capacidades são trabalhadas pelo usuário da internet ao mesmo tempo em que ele abandona outras. Assim a reflexão mais aprofundada e demorada é mais difícil para esse indivíduo, mas lidar com várias informações ao mesmo tempo e com mudanças é mais fácil.
Na verdade o problema ou a salvação da educação não estão na internet, mas no professor. Mais uma vez ele é o fiel da balança que, com intervenções equilibradas e eficientes em uma situação social bastante complexa, pode fazer a diferença.
Nessa era midiática cabe ao professor saber trabalhar com a tecnologia e contribuir para que seu aluno também desenvolva esse conhecimento. Mas eles já não sabem tudo? Não se engane. Faça um teste e verá que o aluno só sabe acessar os sites, montar pequenos vídeos e entrar em salas de bate-papo, mas nada próximo a usar a internet para produzir conhecimento.
Que alternativas temos? Promover o uso inteligente da internet e uma visão crítica dos meios de comunicação. Propor alternativas interessantes ao público jovem utilizando o universo da própria web. Sempre estar focado no trabalho com o raciocínio, a pesquisa, a leitura e a criação do conhecimento. Utilizar o quanto for possível as novas tecnologias no trabalho educativo de uma forma bem fundamentada pedagogicamente. Criar alternativas viáveis e consistentes de uso da tecnologia em sala de aula. O professor precisa saber aliar o trabalho com tecnologia e com as fontes de conhecimento tradicionais (jornal, livro, etc). Só assim escola e tecnologias poderão andar juntas, com ganhos para ambas, principalmente para nossos alunos e nossa sociedade.
Isso tudo é fácil? Não, de maneira nenhuma. Pelo contrário, é um imenso desafio. Entretanto, se nós professores não fizermos, quem fará?
Humberto Marshal Mendes Giménez - Mestre em Geografia pela Universidade Estadual de Maringá (2007) e especialista em história pela Faculdades Portoalegrenses (1999). Graduado em Estudos Sociais (História, Geografia, OSPB e EMC) pela Universidade da Região da Campanha (1991) e em História pela UNISINOS - Universidade do Vale do Rio dos Sinos (1998). Leciona nas áreas de Geografia, História, Sociologia, Filosofia, Administração e Antropologia. Atua também em ensino à distância.
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