Topo

Educação Física é coisa séria

A prática esportiva dentro da escola, representada nas aulas de Educação Física, vai muito além de um momento de entrosamento, diversão ou competição.  É aprendizado. Não há lápis e papel, mas na movimentação do corpo e nos instrumentos esportivos é possível aprender grandes lições que contribuem no desenvolvimento do aluno. A Educação Física é uma disciplina essencial no todo escolar.

Não apenas no contexto acadêmico, mas no social e individual, o esporte apresenta grandes benefícios que refletirão em sala de aula. O educador físico Luís Roberto dos Santos conta que além de combater o sedentarismo e a obesidade, a prática esportiva na escola diminui as diferenças; ensina o aluno a lidar com as frustrações; trabalha a questão de limites, já que não é apenas o que o aluno quer, e sim o que as modalidades determinam como regras; e também motiva a melhorar ainda mais um nível de prática já alcançado em determinada atividade. Entretanto acima de tudo isso está o respeito, valorizando o adversário, sem o diminuir. Afinal, sem ele não há jogo.

“Eu acredito muito no esporte. Somos um ser holístico. Muitas vezes não podemos ter uma visão fragmentada do ser humano. Então quando a gente melhora nosso físico, nosso corpo, a gente está propiciando uma melhora dentro daquilo que é intelectual também. E o contrário também é verdadeiro. Ou seja, as coisas estão conectadas. Então aquilo que venha melhorar o meu físico ajudará no contexto intelectual”, acrescenta Luís, sobre a Educação Física.

 

INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS

Luís revela que por muito tempo no Brasil, o aluno considerado exemplar era aquele que tirava boas notas, tinha uma postura ideal em sala de aula e se destacava nos conteúdos. Enquanto que aquele que não se dava tão bem com as disciplinas mais teóricas, mas apresentava uma disposição maior nas aulas de Educação Física, por muitas vezes, era considerado o aluno descompromissado.

Na verdade, nestes casos não existem estudantes certos ou errados, e sim pessoas com diferentes tipos de inteligência. O ser humano apresenta essa multiplicidade, revelando, assim, a existência da inteligência sinestésica neste aluno mais propenso à Educação Física, que também merece ser valorizado. “A inteligência sinestésica pode e deve ser valorizada, porque a partir dela pode-se descobrir outras coisas. Um professor que esteja atento a isso perceberá que o aluno aprenderá muito mais dentro desse contexto, pois ele precisará usar o corpo para vivenciar um determinado conteúdo”, diz o educador físico.

Entretanto, para aqueles que possuem uma facilidade em outros tipos de inteligência, nem sempre a disciplina é bem aceita. Há uma certa resistência, muitas vezes, por não se identificarem com as modalidades propostas. Luís explica que isso não é um problema. Na verdade, é preciso trabalhar a diversidade para que o aluno tenha mais chances de encontrar algo que realmente se identifique e tenha prazer de participar. Para isso, ele enfatiza que é interessante abrir o leque de opções, que vai além das práticas convencionais como handebol, basquete, vôlei e futsal.

Exemplo disso é o que o ele mesmo coloca em prática nas aulas que organiza para os mais de 500 alunos do Ensino Fundamental 2 e Ensino Médio do Instituto Adventista Cruzeiro do Sul (IACS), localizado na cidade gaúcha de Taquara. Devido ao amplo espaço e a estrutura que o internato oferece, novas modalidades podem ser apresentadas e experimentadas pelos alunos.

“A gente abre muito mais esse leque com práticas que não sejam usuais dentro do contexto escolar e cultural, como ultimate frisbee, slackline, stand up paddle e caiaque, esportes que despertam no aluno o interesse e que ele se sinta motivado e perceba que não precisa ficar refém daquelas quatro modalidades. Todo mundo parte de um mesmo nível de conhecimento, ninguém sabe muita coisa sobre aquele esporte, nem no prático ou no teórico”, acredita Luís.

Fato é que a Educação Física é uma disciplina que deve englobar todos os alunos e proporcionar uma experiência de unidade. Mas para isso, Luís alerta: “Embora o esporte seja um fator de inclusão na escola, se não for bem trabalhado ou observado por uma outra ótica, o aluno que não possui uma inteligência sinestésica, acaba sendo deixado de lado. A diversidade de modalidades faz com que consigamos abraçar a todos”, conclui o professor.

 

 

Imagem: Highwaystarz / Fotolia
Jéssica Guidolin

Formada em Jornalismo e pós-graduada em Comunicação e Marketing. Trabalha como assessora de comunicação na sede da Igreja Adventista para o Sul do Brasil.

Sem comentários
Adicionar comentário
Name*
Email*
Website