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Por que ensinamos o criacionismo?

AEducação Adventista ensina o criacionismo, baseando-se em argumentos científicos, sem impor crenças religiosas nem omitir a visão evolucionista. Portanto, o ensino está em harmonia com as prescrições do Ministério da Educação. Na definição do físico Urias Takatohi, “criacionismo é o esforço de harmonizar os conhecimentos das ciências históricas, principalmente a Geologia e a Paleontologia, com suas implicações na teoria da evolução biológica, com a visão de inspiração bíblica de que a vida na Terra foi estabelecida por Deus há poucos milhares de anos. Esse esforço se faz para preservar uma interpretação dos primeiros capítulos da Bíblia tão literal quanto possível e também por causa do valor atribuído à ciência pelo mundo secularizado dos nossos dias”.

10 razões por que ensinamos o criacionismo

1.

O argumento criacionista é coerente com o que se observa nos fósseis encontrados na coluna geológica e diz que a criação deu origem a tipos básicos (“espécies”) de seres vivos e que eles “evoluíram” de forma mais ou menos limitada (diversificação de baixo nível ou “microevolução”). Os criacionistas não creem, no entanto, que todos os seres vivos descendam de um mesmo ancestral unicelular comum, pois é algo que, por experimentação e observação, não pode ser demonstrado. Cientes das limitações de seu modelo, os criacionistas procuram construir um cenário coerente entre a interpretação da narrativa bíblica, os fósseis e a coluna geológica.

2.

O criacionismo apresenta três evidências básicas da existência de um Criador: (1) o ajuste fino do Universo (teleologia); (2) a existência de estruturas irredutivelmente complexas nos seres vivos, que tinham de funcionar perfeitamente desde que foram criadas, ou estes não chegariam aos nossos dias; (3) a informação complexa especificada existente no material genético, que só a inteligência pode originar.

3.

Os criacionistas entendem que, embora alguns aspectos do evolucionismo sejam fundamentados e úteis para a compreensão de muitos fenômenos naturais, há lacunas nesse modo de pensar. Há alguns pontos no evolucionismo que não são cientificamente sustentáveis e podem ser analisados e apresentados aos estudantes.

4.

Atualmente, há vários cientistas criacionistas que fazem boa ciência e apresentam argumentação lógica e importante para ser transmitida. Destacam-se três biólogos norte-americanos: Leonard Brand, Raul Esperante e Harold Coffin, com artigos publicados nos mais prestigiados periódicos científicos sobre as baleias fossilizadas da Formação Pisco (Peru) e as florestas petrificadas de Yellowstone (EUA). No Brasil, destaca-se o químico Dr. Marcos Eberlin, que, além de professor da Unicamp, é diretor do Laboratório Thomson de Espectrometria de Massas, membro da Academia Brasileira de Ciências e terceiro cientista brasileiro mais citado em publicações científicas de renome.

 

5.

O modelo da evolução apresenta lacunas e deve ser confrontado com outras formas de pensar. Por exemplo, o evolucionismo não consegue explicar a origem da vida por processos naturais a partir de matéria não viva. Também não explica a origem da informação genética de sistemas irredutivelmente complexos nem o aumento de complexidade que teria acontecido nos organismos durante o processo evolutivo, ou seja, não consegue explicar a origem de novos órgãos, sistemas de órgãos e novos planos corporais que “surgem” sem formas ancestrais bem definidas.

6.

O questionamento dos criacionistas é voltado para alguns pontos do darwinismo, e não há nenhum incentivo nem direcionamento para que se odeie Darwin – ou qualquer outro ser humano.

7.

O ensino criacionista, dentro da Educação Adventista, vai ao encontro do que prevê a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. A Lei estabelece que os alunos devem criticar objetivamente as teorias científicas como elaborações humanas de representação aproximada da realidade. Reconhece que essas teorias estão sujeitas a revisões,
e até a descarte, e que o Ensino Médio tem, entre suas finalidades, a de capacitar o educando a continuar aprendendo, a ter autonomia intelectual e pensamento crítico.

8.

Conforme escreveu a educadora Ellen White, “a obra da verdadeira educação é preparar os jovens para que sejam pensantes e não meros refletores do pensamento de outros” (Educação, p. 17). Assim, as escolas adventistas entendem que o ensino do contraditório e o contraste de ideias promovem o pensamento crítico. Por isso, os modelos criacionista e evolucionista são expostos comparativamente nas aulas de Ciências.

9.

O criacionismo bíblico, embora seja filosoficamente embasado no teísmo bíblico, pode ter suas premissas científicas discutidas no contexto científico e ser, assim, considerado em sala de aula. Além disso, atualmente, mais do que em outra época, trata-se de um fenômeno cultural, com muitos defensores, mesmo em países cientificamente avançados como os Estados Unidos. Por isso, o criacionismo merece ser conhecido pelos alunos.

10.

Os criadores do método científico, cientistas do quilate de Copérnico, Galileu e Newton, não viam contradição entre a ciência experimental e a religião bíblica. Portanto, os criacionistas de hoje se consideram em boa companhia.

Michelson Borges e Felipe Lemos