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Cara de um, focinho de outro?

Fui abordado por alguns alunos e eles me questionaram sobre a similaridade do DNA de humanos e macacos, se referindo a um artigo que haviam lido. Solicitei a referência e passei a ler a notícia. Após a leitura detida, pude perceber que a matéria era de caráter evolucionista, e que defendia a ideia de que homens e chimpanzés compartilhavam 99,4% de seu DNA, que segundo a reportagem, serviria como prova de que ambos possuíam um parentesco comum.

Em recente nota publicada nos Proceedings of the National Academy of Sciences, nos Estados Unidos, e citado pelo programa Fantástico, seres humanos e chimpanzés deveriam ser reunidos na mesma classificação biológica, o gênero Homo. Confesso que essa notícia me deixou surpreso. Isso ocorre porque há uma tendência entre os cientistas evolucionistas de diminuir esse percentual de similaridade, de cerca de 98,5% para 95%, ou menos ainda (ver por
exemplo Greater than 98% Chimp/human DNA similarity? Not any more). Então, por que esse súbito aumento?

Você mesmo pode conferir que esse tipo de análise percentual tem diminuído e chamado a atenção. No jornal Zero Hora: Caderno Global Tech, nº 171, de segunda, 23 de fevereiro de 2009, na página 4, leio “Uma equipe internacional de cientistas descobriu que as diferenças entre os genomas de humanos e chimpanzés são 10 vezes maiores do que se achava”. Então, de onde provem esses dados?

Como já mencionei, esse nível de certeza não é científico e dificilmente esses dados seriam suficientes para sustentar uma conclusão, no mínimo tão radical. Para esse teste, os pesquisadores compararam 97 genes, porém o genoma humano (que foi mapeado em sua totalidade apenas de uma maneira muito “geral”) tem pelo menos 30.000 genes. Então, eles compararam apenas 0,03% do total! Além disso, os genomas dos primatas não foram nem sequer mapeados de maneira aproximada. Assim, qualquer tentativa de comparar o DNA total atualmente é apenas uma hipótese, um chute.

De fato, os chimpanzés são mais semelhantes aos seres humanos, mais do que outros macacos ou símios. Mas, por que isso não se refletiria em alguns de seus genes? Não é surpresa que a anatomia similar refletisse genes similares, porém isso nada tem a ver com a origem das similaridades, seja no nível anatômico, seja no nível genético.

A questão da ancestralidade comum versus projeto inteligente não se decide pelo grau de similaridade. Mesmo cientistas evolucionistas sérios, levantam dúvidas sobre esse tipo de análise. O argumento dos pesquisadores, neste caso, com relação a como os chimpanzés deveriam ser classificados, centrou-se na proximidade relativa, isto é, no fato de que, nos estudos deles, os chimpanzés mostraram-se mais próximos de nós do que dos outros grandes símios e por tabela, seriam nossos parentes mais próximos. Só que similaridade não é critério científico, do mesmo jeito que baleia não é peixe, apesar de morfologicamente parecer um peixe e viver como um.

Para que se tenha uma ideia, usando esse mesmo critério, temos de similaridade 50% de nosso DNA com o da banana. 70% com uma libélula. Nem por isso esses dois seres deveriam fazer parte do gênero Homo; ou seriam eles nossos parentes? Mas a quem serve esse tipo de alegação?

Boa parte da população não tem a menor ideia do que seja um genoma, e alguns pouco sabem sobre o DNA, a não ser o que leem numa seção de ciência em alguns jornais. Então, numa notícia como essa, cria-se a sensação de que a luta com respeito as origens já tem um fim, e a evolução ganhou. Pinta-se um quadro no qual os criacionistas são não-científicos, pessoas estúpidas e sem a menor noção de ciência, enfim, um marketing barato.

Como criacionista não tenho o mesmo espaço num programa de TV que teve essa notícia. Como informar a uma população sedenta da verdade?

A classificação dos organismos baseia-se em similaridades e diferenças. Parece estranho colocar essas duas espécies (chimpanzés e seres humanos) no mesmo grupo em igualdade de posição. Uma criança pode reconhecer a similaridade entre chimpanzés e bonobos (outro grupo de macacos), bem como a diferença entre eles e os seres humanos. A proposta poderá também complicar a já problemática situação dos Neandertais, Australopitecíneos e outros alegados ancestrais humanos. Por exemplo, os cientistas evolucionistas não classificam os Australopitecíneos, como Lucy, no mesmo gênero que os seres humanos. Entretanto, querem fazer isso com os chimpanzés.

Então, a conclusão é que quando os cientistas procuram similaridades, eles as encontram, e quando procuram diferenças, também as encontram. Tudo vale para fazer a mentira virar verdade. Portanto existem e sempre existirão profundas diferenças entre seres humanos criados à imagem e semelhança de Deus, e outras criaturas. Pense, somos parecidos morfologicamente, exatamente porque o planejador é o mesmo, mas a constituição é muito diferente. Isso não é uma questão de mera afirmação, mas também de observação e senso comum. Nenhum chimpanzé estará lendo ou discutindo essa matéria, por uma razão especial. Nosso ancestral original, Adão, foi criado singularmente à imagem de Deus, sem nenhum ancestral animal.

Como vê, Deus tem uma promessa, então, você já leu sua Bíblia hoje?

Até a próxima.

 

Imagem: Newb1 / Fotolia
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Márcio Fraiberg Machado

Autor de Biologia do Sistema Inter@tivo de Ensino. Graduado em História pela UFSC – Florianópolis – SC. Graduado em Ciências Biológicas pela Unoeste – Presidente Prudente – SP. Especialista em Biotecnologia pela Ufla – Lavras – MG. Mestre em Educação em Ciências e Matemática pela PUC – Porto Alegre – RS. Doutor em Educação pela PUC – Porto Alegre – RS.

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