O arquipélago de Fernando de Noronha está localizado a 545 km de Recife e pertence ao estado de Pernambuco. Formado por 21 ilhas e ilhotas, é um dos lugares mais cobiçados pelos amantes da natureza. A população da ilha é de aproximadamente 2.500 habitantes, e o número de visitantes não pode passar de 500 por dia. O fuso horário é de uma hora a mais que o do continente.
Escolhi Fernando de Noronha para passar a minha lua de mel, e, com certeza, é um lugar em que voltaria várias vezes, se não fosse pelo alto investimento. O arquipélago é considerado Parque Nacional, portanto, protegido pelo Ibama. Todos os visitantes devem pagar uma taxa de preservação ambiental que deve ser consultada em uma tabela estabelecida pelo governo. A taxa serve para a proteção de espécies endêmicas existentes no local e da área de concentração dos golfinhos rotadores, que ficam na Baía dos Golfinhos.
Para conhecer todas as praias de Fernando de Noronha basta alugar um bugue e seguir pela única estrada asfaltada (BR 363) existente na ilha. Não tem erro, as placas sempre indicam algum lugar muito lindo. As praias mais conhecidas são a Cacimba do Padre (um dos cartões postais onde fica o Morro Dois Irmãos), Praia do Bode (famosa pela prática de surf) e a Baía do Sancho (ótima para mergulho).
Em todas as praias é possível alugar snorkel e pé de pato para a prática de mergulho livre. A variedade de peixes é muito grande, além de tartarugas, corais, arraias, moreias e até tubarões. Para quem gosta de mergulho com cilindro, lá mesmo são ministradas aulas e é realizado o "batismo", podendo-se mergulhar a profundidades de 30 a 40 metros. Também são realizados passeios de barcos e trilhas. Ainda falando em natureza, o Ibama mantém uma sede em que trabalha com o Projeto Golfinho Rotador e o Projeto Tamar.
Em todas as manhãs os golfinhos rotadores vão até a Baía dos Golfinhos para alimentar seus filhotes, descansar e acasalar. Biólogos do local estudam a espécie e contam diariamente a quantidade de golfinhos quando eles chegam na baía e quando a deixam, no pôr do sol. Para a preservação da espécie, não há acesso à baía e nem é possível mergulhar com os golfinhos, já que isso poderia assustá-los e, consequentemente, eles abandonariam a ilha. O Projeto Tamar é realizado na Praia do Sueste, nos meses de março e abril, e protege as tartaguras Verde e de Pente.
Fernando de Noronha é repleta de aves, com algumas espécies de atobá, trinta-réis, rabo-de-palha, cococurta, garça-vaqueira, entre outras. Um bicho que me chamou muito a atenção quando estive lá foi o mabuia, espécie de lagarto muito ágil e que se reproduz facilmente.
Ele se alimenta de insetos e flores e é possível vê-lo em todos os cantos da ilha, até mesmo dentro das pousadas. Inofensivo, pude encontrá-lo facilmente em todo lugar.
A parte histórica do arquipélago também é rica. O Forte de Nossa Senhora dos Remédios já foi a principal estrutura de defesa da ilha. Foi construído pelos portugueses no século18 e funcionou como presídio de 1930 até 1942. Na Segunda Guerra, soldados americanos usaram o forte como abrigo. Hoje o forte é um dos pontos turísticos do local.
O Forte de Santo Antônio já serviu como principal ancoradoura da ilha e integrava a defesa da baía de Santo Antônio. O arquipélago já foi invadido por ingleses, franceses, holandeses e portugueses. Em 1737 foi ocupada definitivamente por portugueses.
Para quem gosta de comer peixe, existem muitos restaurantes espalhados pela ilha e que oferecem boa variedade, como o "Tom Marrom", "Zé Maria", "Xica da Silva", "Museu dos Tubarões", entre outros. Apesar da variedade de peixes, na ilha só é permitida a pesca artesanal. Se você é vegetariano, como eu, existe o restaurante "Flamboyant" na Vila dos Remédios, que oferece refeições em regime de serf service. Apesar de não ser vegetariano, permite que pessoas vegetarianas possam comer bem. O "Restaurante da Edilma", também na Vila dos Remédios é outra ótima opção de comida caseira, bem temperada e simples. É uma delícia sentar na varanda do restaurante e apreciar a vista.
Há muita coisa para dizer sobre Fernando de Noronha. A natureza e a cultura do local são muito ricas e vale a pena reservar um período de férias para visitá-la. Qualquer época do ano é boa para visitar Noronha. O clima é agradável, a água é cristalina e parecida com água doce, de tão pura e limpa, sem as interferências do homem. Do nascer ao pôr do sol, cada minuto vale ser registrado. Fernando de Noronha é considerada o santuário da natureza no Brasil e é muito conhecido fora do país.
Se você pretende conhecê-la, leve seu próprio snorkel para não gastar com o aluguel em todas as praias em que você quiser mergulhar. Dica: a energia elétrica é de 220 volts e, lá, só há o Banco do Brasil. Leve máquina fotográfica, filmadora e, se possível, máquina para fotografar embaixo da água. Bom passeio!
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Andressa Ricon Rocha, jornalista e estudante de Letras.