A aventura de ler – Institucional EA
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A aventura de ler

Em um mundo tecnológico de respostas imediatas e informações sucintas, a leitura reflexiva fica em segundo plano. Consequentemente, essa situação afeta também as crianças, as nativas digitais. Entretanto, este cenário pode ser revertido com o incentivo da família e da escola.

Uma pesquisa do Instituto Pró-Livro (2016) revelou que 67% dos brasileiros não tiveram um incentivo de alguém em sua trajetória literária. Dos 33% que receberam influência, 11% foram motivados pela mãe ou representante feminina e apenas 7% dos incentivos vieram do professor. A pesquisa mostrou ainda que o total de livros por ano é de 4,96, sendo que 2,43 deles foram concluídos e 2,53 foram lidos em partes.

“Hoje em dia, as crianças leem pouco. Quando são abordadas para alguma leitura, querem saber quantas páginas são, o tamanho do texto, quantas linhas. A gente percebe que a visita espontânea à biblioteca caiu muito”, analisa a professora Elen Aleixo.

Observando a necessidade de transformar a realidade da leitura nas escolas que gerenciava, a professora Suzete Maia começou a buscar alternativas. Após pesquisas e estudos, nasceu o projeto Ler é uma Aventura. Mais tarde, ela fechou parceria com Elen Aleixo para a produção do material.

“Queríamos melhorar a proficiência de leitura e escrita dos nossos alunos para que eles fossem bem-sucedidos no Enem. Nós entendemos que, para o aluno fazer uma redação de mil pontos, precisaríamos começar o desenvolvimento na base das competências de leitura e interpretação”, explica Suzete.  

O projeto Ler é uma Aventura envolve crianças a partir do 1º ano do Ensino Fundamental 1. Propõe que o aluno escolha a cada semana um livro para ler em casa, somando ao final do ano uma quantia de 40 obras lidas. Entretanto, para praticar a compreensão e escrita, a criança preenche uma ficha do livro concluído, respondendo às perguntas. O desafio é lançado para a classe, sendo que os pequenos recebem, na conclusão do projeto, um certificado e também uma festa comemorativa. A ideia não é competição entre os alunos, e sim ajuda mútua.

“Aqui no Brasil parece assustador, mas nos Estados Unidos e Europa as crianças leem de dois a três livros por semana. Então isso já faz parte da rotina deles. Os livros do projeto Ler é uma Aventura são adaptados para cada faixa etária.  Embora seja para ler um livro por semana, tem criança que lê dois. Essas que terminam mais rápido podem ajudar os que têm dificuldade, aí a gente trabalha a cooperação. Ela pode sentar com o colega e ler junto. Só temos a festa quando todos leem”, explica Suzete. A iniciativa já existe há três anos.

Todo o processo é acompanhado de perto pela professora de cada classe. Os alunos dão um feedback em sala de aula por meio de um sorteio, em que um deles compartilha com os colegas o conteúdo que leu. O incentivo à leitura nesse formato traz grandes benefícios, e já mostra resultados. “Tem relatos de alunos que terminam o projeto dos 40 livros e continuam lendo por conta própria. Quando a criança lê mais, ela também escreve melhor. O resultado da leitura e da compreensão também favorecem a escrita”, comemora Elen.

 

 

APOIO FUNDAMENTAL

Segundo as pedagogas, para que o hábito da leitura seja bem-sucedido, os estímulos são ideais ainda na primeira infância e contando com o apoio da família. “Quanto mais cedo este hábito é formado, muito mais essa criança é privilegiada por recursos linguísticos, em diversos contextos da vida que influenciarão no estudo dela, não só agora como no futuro”, enfatiza Elen.

Suzete acrescenta: “A família é fundamental porque a criança também tem que ver o hábito de leitura em casa ou receber esse estímulo. Então esse projeto que nós fizemos é uma parceria da família e da escola. ”

Entretanto, isso não significa que as crianças que não receberam o incentivo logo cedo, não poderão adquiri-lo posteriormente. Para isso, as profissionais garantem que nunca é tarde para aprender, apesar de, talvez, encontrarem mais dificuldades para desenvolver o hábito.

 

 

 


Imagens: Mariusz Blach e katerina_dav / Fotolia
Jéssica Guidolin

Formada em Jornalismo e pós-graduada em Comunicação e Marketing. Trabalha como assessora de comunicação na sede da Igreja Adventista para o Sul do Brasil.

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